terça-feira, 20 de maio de 2014

COSMO VISÃO CRISTÃ

 

Descobrindo a cosmovisão cristã - Parte I

O mundo pelas lentes da Bíblia
O QUE É UMA COSMOVISÃO?

O termo cosmovisão é uma tradução da palavra alemã weltanschauung, que significa “modo de olhar o mundo” (welt – mundo, schauen – olhar). É a maneira como a pessoa encara, age e reage em relação aos acontecimentos; um conjunto de suposições e crenças que utilizamos para interpretar e formar opiniões acerca da nossa humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade e questões sociais.
A cosmovisão é como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo . É a impressão da verdade objetiva de Deus em nossa vida interior. Norman Geisler nos dá outra representação, em que a cosmovisão é semelhante a uma lente intelectual através da qual enxerga-se o mundo. Se alguém olha através de uma lente vermelha, o mundo lhe parece vermelho. Se outro indivíduo olha através de uma lente azul, o mundo lhe parece azul.
Todos os grandes pensadores do passado, tais como Platão, Aristóteles, Agostinho e Tomás de Aquino, cada um deles tinha o seu sistema de crença com respeito à filosofia, que foi escrito numa forma sistemática. Cada sistema expressou a cosmovisão do filosofo particular. Mas, mesmo que as pessoas não se dêem conta, todas elas (adultas), necessária e inescapavelmente, têm uma cosmovisão, um sistema filosófico de pensamento, também. “A cosmovisão delas pode não ser escrita, ou sistematizada, como as dos quatro pensadores mencionados acima, mas elas têm uma cosmovisão, apesar de tudo”.
Embora possua uma conotação filosófica a cosmovisão de uma pessoa possui natureza prática, afinal, idéias têm conseqüências reais. A propósito, essa visão de mundo não precisa necessariamente ser articulada, e nem vivida conscientemente. Isso pode ser melhor explicado com a definição dada por James Sire em o Universo ao Lado. Ele diz que cosmovisão é um comprometimento, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser total ou parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas), que detemos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade e que fornece o alicerce sobre o qual vivemos, movemos e possuímos nosso ser. Como um comprometimento, Sire explica que a essência da cosmovisão repousa nos mais profundos e íntimos recônditos do eu humano. Uma cosmovisão - ele explica - envolve a mente; porém, é, acima de tudo, um compromisso, uma questão de alma. É uma orientação espiritual mais que uma questão de mente apenas.
Ao dizer que a visão de mundo é uma orientação espiritual, Sire não está fazendo referência à espiritualmente puramente religiosa, mas àquela disposição interna do ser humano, afeta às suas interioridades, que atingem o âmago do seu próprio ser e o influenciam a agir de um modo ou de outro. É exatamente essa predisposição que vai norteá-lo ante as decisões mais importantes da sua vida. Quando o casamento vai mal, qual a decisão a ser tomada? A infidelidade é normal? Como deve ser encarada a questão do aborto e do homossexualismo? Qual a forma de proceder no trabalho? Como educar os filhos? Como encarar a violência?
Frente a tais situações práticas da vida, as pessoas tomam suas decisões baseado naquilo que compreendem como sendo verdadeiro ou falso; certo ou errado. A cosmovisão que possuímos norteia nossas decisões e atitudes, e funciona como um guia, dando-nos senso de direção acerca da forma como devemos agir.


O RESULTADO PRÁTICO DAS COSMOVISÕES

Como já foi dito, as cosmovisões têm conseqüências práticas. A ‘forma de ver o mundo’ de uma pessoa não fica isolada apenas em sua mente. Pelo contrário, é a força que a impulsiona a agir em todas as esferas da vida. Com efeito, quando alguém acredita em uma cosmovisão completamente equivocada os resultados disso podem ser drásticos, não somente para a pessoa, mas também para toda a sociedade. Como exemplo claro e histórico tem-se o caso de Adolf Hitler. Suas nefastas ideias sobre a superioridade da raça ariana e as suas teses racistas e anti-semitas foram responsáveis pelo genocídio de milhares de pessoas, desencadeando, inclusive, a 2ª Guerra Mundial.
Da mesma forma, para todos quantos acreditam que Deus não existe, que o homem é fruto do acaso, e que não existe um Criador a quem terão que prestar contas mais cedo ou mais tarde, questões como adultério, homossexualismo, aborto e eutanásia são analisadas simplesmente pela ótica terrena e passageira. Caso em que, segundo a visão secular, tais atos são plenamente aceitáveis no pensamento do homem moderno.
No âmbito da moral, atualmente, os resultados da cosmovisão secular (aquela que “baniu” Deus da sociedade) são notórios. Conforme alerta Mathew Slick “O resultado da cosmovisão secular pode ser vista ao nosso redor. Ao observarmos a sociedade fica evidente que nem tudo vai bem. A televisão tem se degenerado tornando-se um “bordel” de violência, pornografia “leve”, seriados que destroem a família, comerciais que apelam para a gratificação imediata dos prazeres, e desenhos animados que são cheios de violência, ocultismo, e desobediência aos pais.”
Por outro lado, uma cosmovisão que acredita na existência do Criador, e que Ele haverá de julgar todos os moradores da terra, nesse caso, as ações de todos quantos nela acreditam serão voltadas não simplesmente para o ambiente terreno, mas celestial. Com isso, o adultério, o homossexualismo, o aborto e a eutanásia são considerados logicamente como afronta ao próprio Deus, que estabeleceu uma moral objetiva a ser seguida pelo homem, baseada na sua própria Palavra.

ELEMENTOS E ESCOLHA DE UMA COSMOVISÃO

Em síntese, uma cosmovisão possui como elementos principais informações nas quais possamos responder as maiores indagações do ser humano: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?
Os focos de uma cosmovisão são: criação ou origem, identidade, propósito e destino do ser humano. Como exemplo, no que tange ao elemento [origem], para a cosmovisão ateísta Deus não existe. O universo é tudo o que existe ou existirá. O homem é resultado da evolução. A vida do homem é destituída de [propósito] e o seu [destino] está vinculado somente à ordem física desta vida, afinal, segundo entendem, não existe vida eterna. Na cosmovisão panteísta Deus é o próprio universo. O [destino] do homem é determinado pelos ciclos da sua vida, o carma (erros a serem redimidos em inumeráveis reencarnações). E o sofrimento é uma ilusão causada pelos erros da mente.
Diante de tantas cosmovisões existentes no mundo (ateísmo, teísmo, panteísmo, deísmo, politeísmo, etc.) a pergunta que fica é a seguinte: Qual cosmovisão escolher? Seria simplesmente aquela que faz a pessoa sentir-se bem, ou aquela que funciona? Obviamente que nenhuma das duas alternativas, afinal essa seria um visão fundamentada simplesmente no bem estar terreno, muito comum hoje em dia, quando as pessoas escolhem suas religiões simplesmente por se sentirem mais confortáveis em determinado grupo de religiosos, ou então, aquela que lhe dê “resultados” mais rápidos.
Ora, a verdadeira cosmovisão deve ser escolhida sobre o enfoque da realidade, de forma a verificar se as respostas e modelos apresentados por cada ela são aceitáveis e se possuem lógica. Da mesma forma que uma pessoa não utilizaria óculos com lentes desfocadas para ver o mundo, assim também, no âmbito das cosmovisões, ninguém tem a intenção (pelo menos em sã consciência) de viver sob a influência de uma cosmovisão completamente desvirtuada, que apesar da aparência de perfeição, levará a pessoa para um trágico final. É que a cosmovisão, como já havia sido dito, é como um mapa. E se o mapa estiver errado, a pessoa não chegará ao destino esperado.
Segundo Gordon Clark “Se um sistema pode fornecer soluções plausíveis para muitos problemas enquanto outro deixa questões sem respostas, se um sistema tende ao ceticismo e dá mais significado à vida, se uma cosmovisão é consistente enquanto que outras são autocontraditórias, quem pode nos negar, visto que devemos escolher, o direito de escolher o primeiro princípio mais promissor?”.


Descobrindo a cosmovisão cristã - Parte II

O mundo pelas lentes da Bíblia
ELEMENTOS E ESCOLHA DE UMA COSMOVISÃO

Em síntese, uma cosmovisão possui como elementos principais informações nas quais possamos responder as maiores indagações do ser humano: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe? 
Os focos de uma cosmovisão são: criação ou origem, identidade, propósito e destino do ser humano. Como exemplo, no que tange ao elemento [origem], para a cosmovisão ateísta Deus não existe. O universo é tudo o que existe ou existirá. O homem é resultado da evolução. A vida do homem é destituída de [propósito] e o seu [destino] está vinculado somente à ordem física desta vida, afinal, segundo entendem, não existe vida eterna. Na cosmovisão panteísta Deus é o próprio universo. O [destino] do homem é determinado pelos ciclos da sua vida, o carma (erros a serem redimidos em inumeráveis reencarnações). E o sofrimento é uma ilusão causada pelos erros da mente.
Diante de tantas cosmovisões existentes no mundo (ateísmo, teísmo, panteísmo, deísmo, politeísmo, etc.) a pergunta que fica é a seguinte: Qual cosmovisão escolher? Seria simplesmente aquela que faz a pessoa sentir-se bem, ou aquela que funciona? Obviamente que nenhuma das duas alternativas, afinal essa seria um visão fundamentada simplesmente no bem estar terreno, muito comum hoje em dia, quando as pessoas escolhem suas religiões simplesmente por se sentirem mais confortáveis em determinado grupo de religiosos, ou então, aquela que lhe dê “resultados” mais rápidos.
Ora, a verdadeira cosmovisão deve ser escolhida sobre o enfoque da realidade, de forma a verificar se as respostas e modelos apresentados por cada ela são aceitáveis e se possuem lógica. Da mesma forma que uma pessoa não utilizaria óculos com lentes desfocadas para ver o mundo, assim também, no âmbito das cosmovisões, ninguém tem a intenção (pelo menos em sã consciência) de viver sob a influência de uma cosmovisão completamente desvirtuada, que apesar da aparência de perfeição, levará a pessoa para um trágico final. É que a cosmovisão, como já havia sido dito, é como um mapa. E se o mapa estiver errado, a pessoa não chegará ao destino esperado.
Segundo Gordon Clark “Se um sistema pode fornecer soluções plausíveis para muitos problemas enquanto outro deixa questões sem respostas, se um sistema tende ao ceticismo e dá mais significado à vida, se uma cosmovisão é consistente enquanto que outras são autocontraditórias, quem pode nos negar, visto que devemos escolher, o direito de escolher o primeiro princípio mais promissor?”.

A BÍBLIA E A COSMOVISÃO CRISTÃ

Baseado nessa necessidade e direito de escolha de cada pessoa é que os cristãos possuem a sua cosmovisão, que oferece à humanidade as respostas mais contundentes para as suas maiores indagações: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?
Nesse tom, Charles Colson e Nancy Pearcey argumentam que o cristianismo vai além de João 3.16, além da fé privada e da salvação pessoal. Ele é nada menos que a estrutura para a compreensão total da realidade. É a forma de ver a própria vida. Ele vai além da mera realização de “eventos espirituais” e agendas festivas, sobretudo, é responsável por redimir toda uma cultura em decadência e implantar o padrão bíblico de vivência. Seus princípios abordam todos os campos de atuação do homem. Seus fundamentos adentram nos vários extratos sociais e intelectuais da sociedade, numa síntese daquilo que disse Cristo: “Vós sois do sal da terra e a luz do mundo”.
Acontece que muitos olham para o cristianismo, em especial para os protestantes, e pensam que suas atividades estão relacionadas simplesmente ao âmbito espiritual, cujos assuntos principais são oração, santidade, fé, etc; e que o seu objetivo é simplesmente a realização de cultos avivados, onde as coisas da “sociedade” nada interferem ou tem a ver com a vida religiosa. Mas esse é um pensamento equivocado. O cristianismo tem muito a dizer sobre a vida, trabalho, sexualidade, educação, política, e sobre muitas outras coisas presentes na sociedade, já que o pensamento cristão é mais que uma crença particular. Nas palavras de Colson: “O cristianismo oferece uma cosmovisão compreensível que cobre todas as áreas da vida, todos os aspectos da criação. Somente o cristianismo oferece uma maneira de ver o mundo de acordo com o mundo real”
Uma das principais diferenças entre as demais cosmovisões e a cristã, está no fato de que na cosmovisão cristã toda convicção é formado a partir das Escrituras Sagradas reveladas por Deus. É exatamente ela quem apresenta o núcleo da forma de pensar do cristão (ou pelo menos deveria ser). Os fundamentos da cosmovisão cristã estão presentes nela. Suas ideias possuem um encadeamento lógico e racional, podendo sem facilmente compreendido por qualquer pessoa.

De onde viemos, e quem somos?

Enquanto várias teorias acerca da criação do universo e da origem do homem são inventadas e estudadas pela ciência, Deus revela em sua Palavra que todo o universo foi Criado por Ele (No principio criou Deus o céu e a terra Gn 1.1). O cosmos não é resultado do acaso. Não somos frutos de poeiras estelares. O planeta terra não é resultado de explosão sem causa. O homem não é descendente de amebas do pântano e de macacos. Pelo contrário, tanto o universo, quanto todas as demais coisas, foram criadas pelo próprio Deus. Não é nenhum acidente que a distância entre o Planeta Terra e Sol faz deste planeta o único lugar onde pode existir vida. Não é nenhum acidente que o eixo de rotação da Terra tem uma inclinação de 23,5º produzindo as quatro estações do ano, ou que a Terra gira uma vez a cada 24 horas produzindo o dia e a noite. A complexidade e a beleza do universo e de todas as criaturas demonstram a impossibilidade de que sejamos resultados de meros efeitos físicos. Davi disse: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” (Salmo 19:1). Portanto, somos filhos de Deus, criados para o seu louvor e glória!

O que aconteceu de errado com o mundo?

Não é preciso ser estudioso para entender que existe alguma coisa de errado com o mundo (leia-se: com a humanidade). O aumento da violência e da promiscuidade são somente alguns dos exemplos. Tal decadência teve inicio há muito tempo, com o primeiro homem, Adão. Apesar de ter sido criado perfeitamente por Deus, ele escolheu desobedecer ao próprio Criador. O pecado trouxe a morte ao mundo, a morte física e, pior ainda, a morte espiritual. Ainda, o solo se tornou menos fértil e a comida mais escassa. O homem começou a trabalhar mais para obter menos. A humanidade também perceberia logo o efeito que o pecado tem nas relações humanas: crueldade, assassinato, lascívia e desarmonia. Paulo disse da seguinte forma: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor", Rm 6.23. Portanto, o que aconteceu de errado, e o motivo do sofrimento no mundo é exatamente o pecado original cometido pelo homem.


Redenção – O que podemos fazer para consertar isso?

Em meio à turbulência social e moral percebida no meio da sociedade, devido ao pecado original, muitas propostas têm sido defendidas para a solução do problema do mundo. Uma delas é a auto-ajuda, segundo a qual o próprio homem é pode resolver todos os seus males. No entanto, o homem sozinho é incapaz de resolver um erro que ele mesmo cometeu. Assim, Deus na sua inefável sabedoria, realiza o ato que é o centro da fé cristã: Ele entrega o seu Filho, Jesus Cristo, para que, sendo morto no lugar do homem, pudesse apagar os seus pecados. E é o acontece. O Cristo deixa seu trono, desce às regiões terrenas, encarna-se, e morre no nosso lugar. Ele nos amou tanto que morreu em uma cruz para pagar o preço dos nossos pecados. E ele oferece a cada um de nós o perdão. Jesus Cristo é o único Caminho através do qual o homem pode ser perdoado e viver eternamente com Deus. E se nós queremos ser perdoados por Deus, nós devemos aceitar o presente que ele nos oferece livremente.
O interessante da cosmovisão cristã reside no fato dela ser simples, como disse C. S Lewis, como tema de seu livro, “Cristianismo puro e simples”. No entanto, simplicidade não é sinônimo de inverdade ou erro. Pelo contrário, as maiores verdades são simples. Tanto que o pensamento cristão vem ao longo de toda a sua história superando todos os desafios que lhe foram propostos, desde a Igreja primitiva, onde os cristão foram perseguidos, passando pelo período do iluminismo racionalista, o tempo do comunismo, e, atualmente, o pós-modernismo relativista. Em todos estes contextos, a cosmovisão cristã, guardada por próprio Deus, não sucumbiu. Afinal, como disse Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão!” Mt. 16.18
Deve-se anotar, porém, que o principal fundamento do pensamento cristão não está simplesmente em respostas intelectuais para a mente humana. Posto que a lógica e a inteligência são somente meios de se compreender toda a realidade, especialmente do cristianismo. Por outra via, a base para o relacionamento com Deus chama-se FÉ, e como disse o escritor aos Hebreus, “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêm” Hb.11.1. A vida cristã, então, tem como primazia o relacionamento e a comunhão do homem com Deus, por meio de Cristo Jesus. A salvação, a transformação a nova vida e a paz (aquela que excede todo entendimento) provindas deste relacionamento é que dá ao cristão a razão de viver.


A cosmovisão cristã e a supremacia de Cristo

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso.

Uma forma bem simples e ao mesmo tempo desafiadora para assimilar e viver a dimensão integral da fé cristã é pensar como Jesus. Diante de qualquer situação cotidiana precisamos nos perguntar: “O que Jesus faria em meu lugar?”, e, depois, aplicar a resposta sem fazer quaisquer ajustes em virtude da reação dos outros.
George Barna nos lembra que Jesus foi capaz de modelar uma cosmovisão bíblica porque ele é Deus e, assim, conhece e corporifica a verdade e a justiça. No entanto, diz Barna, o fato de Jesus ser humano, enquanto esteve fisicamente na terra, sugere que ele também devia trabalhar para manter uma visão de tudo o que se deparava. Seu processo não foi acidental nem oculto: sua exortação aos discípulos foi: ‘Aprendei de mim’. O que podemos aprender com sua forma de tomar decisões?[i].

A SUPREMACIA DE CRISTO

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso. Jesus não é mais um no grande panteão de deuses criados pelo homem. Ele é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), o primogênito de toda Criação (Cl 1.15), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), o [único] Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5).
Na epístola aos Hebreus, o escritor também evoca a superioridade de Cristo, começando com essa majestosa declaração:
“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito para si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb. 1.1-4).
A supremacia de Cristo é tão evidente que no capítulo dois de Hebreus Ele é apontado como sendo superior aos anjos, no capítulo três é superior a Moisés e no capítulo cinco é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto. Em virtude dessa supremacia é que o nome de Jesus é superior a qualquer outro nome, ante quem todo o joelho se dobrará, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. (Fp 2.9-11).
O próprio Jesus tinha total convicção de sua autoridade. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E depois da sua ressurreição dos mortos afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”. (Mt 28.18). Cristo não se considerava um simples sábio, um mero homem de moral elevada ou somente um profeta. Ele sabia que era o filho unigênito de Deus, enviado com o propósito de proporcionar redenção ao homem.
Essa questão não é trivial. A forma como Jesus se auto identificava  serve como parâmetro fundamental no modo como as pessoas o veem.  C. S. Lewis, um dos maiores escritores cristãos do século XX, dizia que é uma tolice as pessoas afirmarem: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Afinal, um homem que fosse um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral, mas sim um lunático ou coisa pior. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco, pois ele nunca nos deixou a opção de considerá-lo como simples mestre humano. Lewis também observa que parece ser óbvio que Jesus não era lunático, muito menos um demônio. Por isso, precisamos reconhecer que ele era, e é Deus. “Deus chegou sobre forma humana no território ocupado pelo inimigo”.[ii]
Permitam-me prosseguir um pouco mais nesse tema.
Ao realizar a pesquisa do seu livro Em defesa de Cristo, Lee Strobel entrevistou Gary R. Collins, Ph.D em psicologia, a fim de investigar se o perfil psicológico de Jesus revelava qualquer indício de que ele tinha problemas mentais, pelo fato de afirmar que era Deus. Collins, com todo o seu conhecimento, lembrou que os psicólogos não prestam atenção e avaliam somente o que as pessoas dizem, mas vão mais fundo, para observar suas emoções  e comportamento.
Jesus nunca demonstrou emoções inadequadas, quadro depressivo ou de angústia completa. Ao contrário, os relatos bíblicos comprovam a lucidez de um individuo emocionalmente saudável. Até mesmo os seus momentos de ira revelam reações ponderadas, contra a injustiça e os maus-tratos evidentes de que o povo era vítima. Jesus não tinha problemas de percepção – comum em pessoas perturbadas psicologicamente, e nunca perdeu o contato com a realidade. As narrativas bíblicas, destacam que ele, ao contrário de pessoas com problemas mentais, mantinha uma conversão lógica e bom relacionamento social com as demais pessoas.
O Dr. Collins ainda diz que “Ele era compassivo, mas nunca deixou que a compaixão o imobilizasse; não tinha um ego inflado, muito embora fosse constantemente rodeado por uma multidão de adoradores; conservou o equilíbrio, a despeito de um estilo de vida que impunha severas obrigações; sempre sabia o que estava fazendo e para onde ia; preocupava-se profundamente com as pessoas, inclusive com as mulheres e as crianças; que na época não eram consideradas importantes; acolhia as pessoas, embora não fizesse vista grossa para seus pecados; conversava com as pessoas onde quer que estivessem e sempre levava conta suas necessidades!”.
Além de afirmar que era o Filho de Deus, Jesus deu provas de seus atributos divinos de Onisciência (Jo 16.30), Onipresença (Mt 28.20), Onipotência (Mt 28.18), Eternidade (Jo 1.1) e Imutabilidade (Hb 13.8).
Jesus também tinha a credencial divina de perdoar pecados (Lc 7.48; Mc 2.5; Mt 9.2).  Enquanto os demais deuses criados pelo homem são apresentados como divindades dignas de adoração, somente Cristo se manifesta como o Salvador que morreu pelos pecados da humanidade, e por isso é capaz de ofertar perdão. Mas, apenas quem não comete pecados tem essa autoridade. Jesus também demonstrou em sua vida. Seu nascimento virginal foi o início de um vida extraordinariamente sem mácula, tanto é assim que nunca houve qualquer testemunho sobre erros cometidos por Jesus. Na verdade, a sua condenação à morte de cruz foi o julgamento mais injusto de toda a história da humanidade, com traição, falsas acusações, testemunhas subornadas, prisão preventiva sem fundamento, interrogatório ilegal e falta de ampla defesa.
Erwin Lutzer nos aconselha a esquadrinhar os horizontes religiosos, lendo a vida dos grandes mestres religiosos de todos os tempos; não apenas o que ensinaram, mas também o que disseram acerca deles mesmos. Ao buscar um Salvador qualificado e sem pecado você descobrirá que Cristo não tem rival: “Se houvesse outro que reivindicasse inculpabilidade, teríamos prazer em checar suas credenciais pra ver como elas se comparam com as de Cristo. Mencione a exigência de inocência e o campo religioso se define; só um homem permanece. Cristo vive de acordo com seu nome!”.[iii]
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios; primeiramente, por seu próprios pecados e, depois pelos do povo; porque isso fez, uma vez, oferecendo-se a sim mesmo” (Hb 7.26, 27).

A RESSURREIÇÃO DE JESUS

Vale lembrar também que os evangelhos estão repletos de curas e milagres realizados por Cristo, a exemplo da transformação de água em vinho, multiplicação de pães, curas de aleijados, cegos e outras doenças. O milagre é uma intervenção divina na natureza. Contudo, o milagre mais magnífico em Jesus é a sua ressurreição dos mortos. A vitória dele sobre a morte, diz o apóstolo Paulo, é um dos pilares da fé cristã: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.(1 Co 15:14)
A ressurreição de Jesus é um evento histórico, não um mito, e por isso é possível assegurar que temos elementos consistentes para acreditar no túmulo vazio. Algumas pessoas tentaram provar que Jesus nunca ressuscitou, mas no final acabaram se convencendo do contrário. Uma dessas pessoas foi Frank Morison, um jornalista inglês que se lançou a provar que a história do ressurreição de Cristo não passava de um mito. Porém, suas pesquisas o levaram a crer no Jesus ressurreto, resultando no livro Who Moved the Stone? (Quem moveu a pedra?). Ele escreveu:
“Eu desejava apanhar essa última etapa da vida de Jesus, com todo seu drama movimentado e vibrante, com seu contexto bem antigo e claramente definido, e com seu enorme interesse psicológico   e humano – desvencilhá-lo dessas crenças primitivas e suposições dogmáticas que tomaram conta da história, para então poder enxergar essa pessoa supremamente grande tal como era.
Não é preciso descrever aqui como, depois de mais de dez anos, surgiu a oportunidade de estudar a vida de Cristo tal como, havia muito tempo, eu desejava fazer; investigar as origens da literatura que trata dessa história, examinar pessoalmente algumas provas e formar meu próprio juízo sobre o problema que a vida de Cristo apresenta. Apenas direi que esse estudo operou uma revolução em minhas ideias. Daquela história muito antiga surgiram coisas que anteriormente eu julgara impossíveis. Lenta mas bem claramente cresceu dentro de mim a convicção de que o drama daquelas semanas inesquecíveis da história humana era mais estranho e de significado mais profundo do que parecia. Foi a singularidade de muitas coisas notáveis na história que primeiramente atraiu e manteve meu interesse. Somente mais tarde foi que a lógica irresistível do significado dessas coisas veio a aparecer”. (citado por Josh McDowell, Evidências que exigem um veredito)
Gary Habermas afirma que a singularidade da transformação dos discípulos de Jesus é um dos fatores comprobatórios da aparição de Cristo após  sua morte. Se antes da morte do Mestre os seu discípulos o abandonaram e o negaram, com medo de represálias do povo e do poder da época, após a ressurreição do Mestre suas vidas foram radicalmente alteradas, muitos inclusive foram martirizados. A ressurreição, diz Habermas, foi o catalisador e a exaltação dos discípulos. Se eles não tivessem passado por tal experiência, não haveria transformações, pois sem esse evento a vida deles seria vazia.[iv]
Nos dias atuais, se visitarmos o Père-LaChaise, o maior cemitério de Paris e um dos mais famosos do mundo, onde estão enterradas personalidades famosas como Oscar Wilde, Marcel Proust, Auguste Comte, Molière e outros, encontraremos também os restos mortais de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Se formos à Índia, poderemos encontrar – espalhado em pelo menos oito lugares diferentes – o que sobrou das cinzas e da ossada de Siddartha Gautama, o Buda, fundador do budismo. Na cidade de Medina, Arábia Saudita, está o corpo de Ab? al-Q?sim Mu?ammad ibn ?Abd All?h ibn ?Abd al-Mu??alib ibn H?shim, mais conhecido como Maomé, o profeta do islamismo. Mas, se formos até Jerusalém, no lugar em que enterraram Jesus, não encontraremos nenhum vestígio de seus restos mortais, pois a pedra foi removida e o túmulo está vazio. Ele ressuscitou!
Ao longo da história os antiteístas tem tentado – em vão – colocar “pedras” à entrada do sepulcro para desacreditar na divindade de Cristo e no cristianismo. De acordo com Erwin Lutzer, Karl Marx rolou a pedra da economia, dizendo que a religião era o ópio do povo, mas o marxismo naufragou. Sigmund Freud rolou a pedra da psicoterapia, ao afirmar que Deus era a criação da nossa imaginação, mas hoje a própria psiquiatria está no divâ, com todas as suas contradições teóricas. Voltaire empurrou a pedra da cultura, ao afirmar que Deus estava morto e que em menos de cem anos a Bíblia seria um livro esquecido, mas Deus está vivo como nunca, o evangelho encontra-se em expansão e a Bíblia continua sendo o maior e melhor livro de todos os tempos. Darwin empurrou a pedra da ciência, mas hoje o seu darwinismo está despedaçando como um conto de fadas diante da dura realidade.
Não importa. Todas quantas pedras sejam colocadas diante do sepulcro serão removidas. Como afirmou A. W. Tozer: “A ressurreição demostra de uma vez por todos quem ganhou em quem perdeu”.
Notas

[i]BARNA, George. Pense como Jesus. São Paulo: Vida Nova. 2007, p.29.
[ii]LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes. 2005, p. 68-71.
[iii]LUTZER, Erwin. Cristo entre outros deuses: uma defesa da fé crista numa era de tolerância. Rio de Janeiro: CPAD. 2000, p. 81.

[iv]HABERMAS, Gary. In: Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão crista. São Paulo: Hagnos, 2006, 231.

 

A cosmovisão cristã e a supremacia de Cristo

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sob
Uma forma bem simples e ao mesmo tempo desafiadora para assimilar e viver a dimensão integral da fé cristã é pensar como Jesus. Diante de qualquer situação cotidiana precisamos nos perguntar: “O que Jesus faria em meu lugar?”, e, depois, aplicar a resposta sem fazer quaisquer ajustes em virtude da reação dos outros.
George Barna nos lembra que Jesus foi capaz de modelar uma cosmovisão bíblica porque ele é Deus e, assim, conhece e corporifica a verdade e a justiça. No entanto, diz Barna, o fato de Jesus ser humano, enquanto esteve fisicamente na terra, sugere que ele também devia trabalhar para manter uma visão de tudo o que se deparava. Seu processo não foi acidental nem oculto: sua exortação aos discípulos foi: ‘Aprendei de mim’. O que podemos aprender com sua forma de tomar decisões?[i].

A SUPREMACIA DE CRISTO

O ponto sublime da cosmovisão bíblica é a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso. Jesus não é mais um no grande panteão de deuses criados pelo homem. Ele é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), o primogênito de toda Criação (Cl 1.15), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), o [único] Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5).
Na epístola aos Hebreus, o escritor também evoca a superioridade de Cristo, começando com essa majestosa declaração:
“Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito para si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade, nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” (Hb. 1.1-4).
A supremacia de Cristo é tão evidente que no capítulo dois de Hebreus Ele é apontado como sendo superior aos anjos, no capítulo três é superior a Moisés e no capítulo cinco é superior aos sumos sacerdotes do antigo pacto. Em virtude dessa supremacia é que o nome de Jesus é superior a qualquer outro nome, ante quem todo o joelho se dobrará, dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. (Fp 2.9-11).
O próprio Jesus tinha total convicção de sua autoridade. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). E depois da sua ressurreição dos mortos afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”. (Mt 28.18). Cristo não se considerava um simples sábio, um mero homem de moral elevada ou somente um profeta. Ele sabia que era o filho unigênito de Deus, enviado com o propósito de proporcionar redenção ao homem.
Essa questão não é trivial. A forma como Jesus se auto identificava  serve como parâmetro fundamental no modo como as pessoas o veem.  C. S. Lewis, um dos maiores escritores cristãos do século XX, dizia que é uma tolice as pessoas afirmarem: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus”. Afinal, um homem que fosse um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral, mas sim um lunático ou coisa pior. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco, pois ele nunca nos deixou a opção de considerá-lo como simples mestre humano. Lewis também observa que parece ser óbvio que Jesus não era lunático, muito menos um demônio. Por isso, precisamos reconhecer que ele era, e é Deus. “Deus chegou sobre forma humana no território ocupado pelo inimigo”.[ii]
Permitam-me prosseguir um pouco mais nesse tema.
Ao realizar a pesquisa do seu livro Em defesa de Cristo, Lee Strobel entrevistou Gary R. Collins, Ph.D em psicologia, a fim de investigar se o perfil psicológico de Jesus revelava qualquer indício de que ele tinha problemas mentais, pelo fato de afirmar que era Deus. Collins, com todo o seu conhecimento, lembrou que os psicólogos não prestam atenção e avaliam somente o que as pessoas dizem, mas vão mais fundo, para observar suas emoções  e comportamento.
Jesus nunca demonstrou emoções inadequadas, quadro depressivo ou de angústia completa. Ao contrário, os relatos bíblicos comprovam a lucidez de um individuo emocionalmente saudável. Até mesmo os seus momentos de ira revelam reações ponderadas, contra a injustiça e os maus-tratos evidentes de que o povo era vítima. Jesus não tinha problemas de percepção – comum em pessoas perturbadas psicologicamente, e nunca perdeu o contato com a realidade. As narrativas bíblicas, destacam que ele, ao contrário de pessoas com problemas mentais, mantinha uma conversão lógica e bom relacionamento social com as demais pessoas.
O Dr. Collins ainda diz que “Ele era compassivo, mas nunca deixou que a compaixão o imobilizasse; não tinha um ego inflado, muito embora fosse constantemente rodeado por uma multidão de adoradores; conservou o equilíbrio, a despeito de um estilo de vida que impunha severas obrigações; sempre sabia o que estava fazendo e para onde ia; preocupava-se profundamente com as pessoas, inclusive com as mulheres e as crianças; que na época não eram consideradas importantes; acolhia as pessoas, embora não fizesse vista grossa para seus pecados; conversava com as pessoas onde quer que estivessem e sempre levava conta suas necessidades!”.
Além de afirmar que era o Filho de Deus, Jesus deu provas de seus atributos divinos de Onisciência (Jo 16.30), Onipresença (Mt 28.20), Onipotência (Mt 28.18), Eternidade (Jo 1.1) e Imutabilidade (Hb 13.8).
Jesus também tinha a credencial divina de perdoar pecados (Lc 7.48; Mc 2.5; Mt 9.2).  Enquanto os demais deuses criados pelo homem são apresentados como divindades dignas de adoração, somente Cristo se manifesta como o Salvador que morreu pelos pecados da humanidade, e por isso é capaz de ofertar perdão. Mas, apenas quem não comete pecados tem essa autoridade. Jesus também demonstrou em sua vida. Seu nascimento virginal foi o início de um vida extraordinariamente sem mácula, tanto é assim que nunca houve qualquer testemunho sobre erros cometidos por Jesus. Na verdade, a sua condenação à morte de cruz foi o julgamento mais injusto de toda a história da humanidade, com traição, falsas acusações, testemunhas subornadas, prisão preventiva sem fundamento, interrogatório ilegal e falta de ampla defesa.
Erwin Lutzer nos aconselha a esquadrinhar os horizontes religiosos, lendo a vida dos grandes mestres religiosos de todos os tempos; não apenas o que ensinaram, mas também o que disseram acerca deles mesmos. Ao buscar um Salvador qualificado e sem pecado você descobrirá que Cristo não tem rival: “Se houvesse outro que reivindicasse inculpabilidade, teríamos prazer em checar suas credenciais pra ver como elas se comparam com as de Cristo. Mencione a exigência de inocência e o campo religioso se define; só um homem permanece. Cristo vive de acordo com seu nome!”.[iii]
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios; primeiramente, por seu próprios pecados e, depois pelos do povo; porque isso fez, uma vez, oferecendo-se a sim mesmo” (Hb 7.26, 27).

A RESSURREIÇÃO DE JESUS

Vale lembrar também que os evangelhos estão repletos de curas e milagres realizados por Cristo, a exemplo da transformação de água em vinho, multiplicação de pães, curas de aleijados, cegos e outras doenças. O milagre é uma intervenção divina na natureza. Contudo, o milagre mais magnífico em Jesus é a sua ressurreição dos mortos. A vitória dele sobre a morte, diz o apóstolo Paulo, é um dos pilares da fé cristã: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.(1 Co 15:14)
A ressurreição de Jesus é um evento histórico, não um mito, e por isso é possível assegurar que temos elementos consistentes para acreditar no túmulo vazio. Algumas pessoas tentaram provar que Jesus nunca ressuscitou, mas no final acabaram se convencendo do contrário. Uma dessas pessoas foi Frank Morison, um jornalista inglês que se lançou a provar que a história do ressurreição de Cristo não passava de um mito. Porém, suas pesquisas o levaram a crer no Jesus ressurreto, resultando no livro Who Moved the Stone? (Quem moveu a pedra?). Ele escreveu:
“Eu desejava apanhar essa última etapa da vida de Jesus, com todo seu drama movimentado e vibrante, com seu contexto bem antigo e claramente definido, e com seu enorme interesse psicológico   e humano – desvencilhá-lo dessas crenças primitivas e suposições dogmáticas que tomaram conta da história, para então poder enxergar essa pessoa supremamente grande tal como era.
Não é preciso descrever aqui como, depois de mais de dez anos, surgiu a oportunidade de estudar a vida de Cristo tal como, havia muito tempo, eu desejava fazer; investigar as origens da literatura que trata dessa história, examinar pessoalmente algumas provas e formar meu próprio juízo sobre o problema que a vida de Cristo apresenta. Apenas direi que esse estudo operou uma revolução em minhas ideias. Daquela história muito antiga surgiram coisas que anteriormente eu julgara impossíveis. Lenta mas bem claramente cresceu dentro de mim a convicção de que o drama daquelas semanas inesquecíveis da história humana era mais estranho e de significado mais profundo do que parecia. Foi a singularidade de muitas coisas notáveis na história que primeiramente atraiu e manteve meu interesse. Somente mais tarde foi que a lógica irresistível do significado dessas coisas veio a aparecer”. (citado por Josh McDowell, Evidências que exigem um veredito)
Gary Habermas afirma que a singularidade da transformação dos discípulos de Jesus é um dos fatores comprobatórios da aparição de Cristo após  sua morte. Se antes da morte do Mestre os seu discípulos o abandonaram e o negaram, com medo de represálias do povo e do poder da época, após a ressurreição do Mestre suas vidas foram radicalmente alteradas, muitos inclusive foram martirizados. A ressurreição, diz Habermas, foi o catalisador e a exaltação dos discípulos. Se eles não tivessem passado por tal experiência, não haveria transformações, pois sem esse evento a vida deles seria vazia.[iv]
Nos dias atuais, se visitarmos o Père-LaChaise, o maior cemitério de Paris e um dos mais famosos do mundo, onde estão enterradas personalidades famosas como Oscar Wilde, Marcel Proust, Auguste Comte, Molière e outros, encontraremos também os restos mortais de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido por Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita. Se formos à Índia, poderemos encontrar – espalhado em pelo menos oito lugares diferentes – o que sobrou das cinzas e da ossada de Siddartha Gautama, o Buda, fundador do budismo. Na cidade de Medina, Arábia Saudita, está o corpo de Ab? al-Q?sim Mu?ammad ibn ?Abd All?h ibn ?Abd al-Mu??alib ibn H?shim, mais conhecido como Maomé, o profeta do islamismo. Mas, se formos até Jerusalém, no lugar em que enterraram Jesus, não encontraremos nenhum vestígio de seus restos mortais, pois a pedra foi removida e o túmulo está vazio. Ele ressuscitou!
Ao longo da história os antiteístas tem tentado – em vão – colocar “pedras” à entrada do sepulcro para desacreditar na divindade de Cristo e no cristianismo. De acordo com Erwin Lutzer, Karl Marx rolou a pedra da economia, dizendo que a religião era o ópio do povo, mas o marxismo naufragou. Sigmund Freud rolou a pedra da psicoterapia, ao afirmar que Deus era a criação da nossa imaginação, mas hoje a própria psiquiatria está no divâ, com todas as suas contradições teóricas. Voltaire empurrou a pedra da cultura, ao afirmar que Deus estava morto e que em menos de cem anos a Bíblia seria um livro esquecido, mas Deus está vivo como nunca, o evangelho encontra-se em expansão e a Bíblia continua sendo o maior e melhor livro de todos os tempos. Darwin empurrou a pedra da ciência, mas hoje o seu darwinismo está despedaçando como um conto de fadas diante da dura realidade.
Não importa. Todas quantas pedras sejam colocadas diante do sepulcro serão removidas. Como afirmou A. W. Tozer: “A ressurreição demostra de uma vez por todos quem ganhou em quem perdeu”.
Notas

[i]BARNA, George. Pense como Jesus. São Paulo: Vida Nova. 2007, p.29.
[ii]LEWIS, C. S. Cristianismo puro e simples. São Paulo: Martins Fontes. 2005, p. 68-71.
[iii]LUTZER, Erwin. Cristo entre outros deuses: uma defesa da fé crista numa era de tolerância. Rio de Janeiro: CPAD. 2000, p. 81.

[iv]HABERMAS, Gary. In: Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão crista. São Paulo: Hagnos, 2006, 231.

 

 

E Agora, Como Viveremos?

O cristianismo vai além de João 3:16?
Os cristãos podem fazer alguma diferença no mundo? A cosmovisão cristã nos dá o mapa que precisamos para viver? Uma cultura pode ser reconstruída de maneira que todo mundo possa ver no seu esplendor e glória o perfil do Reino de Deus? O cristianismo vai além de João 3:16? Ser cristão é mais que ter um fé pessoal em Cristo?
As perguntas acima esposadas são a tônica do livro “E agora, como viveremos?” de Charles Colson & Nancy Pearcey. Li pelo primeira vez esse trabalho ainda nos primeiros passos da minha caminhada cristã, coincidentemente com o meu ingresso no mundo universitário. Nesse contexto, via repetidas vezes os fundamentos da fé cristã serem relegados e a cruz de Cristo maltratada. A mente intelectual e envaidecida de alguns professores e alunos, entupidas que eram pela filosofia humanista e pela sociologia da autonomia e independência, descambavam para a defesa de um pós-modernismo sem precedentes, onde Deus era mais um simples coadjuvante, e as coisas espirituais não passavam de invenção humana.
Nesse cenário acadêmico, e, apesar de estar no fogo do primeiro amor, cujo desejo ardente de apregoar a mensagem do evangelho era mais intenso que em qualquer outro momento da vivência cristã, minha fé foi posta em prova. Eis que até então, acostumado com os ensinos doutrinários da igreja, focados em temas espirituais e estudos bíblicos, vislumbrei um enorme hiato entre aquilo que eu aprendia contraposto ao que acontecia além das portas do templo que freqüentava. Minha visão espiritual, até aquele ponto circunscrita ao limites de João 3.16, deu de cara com um mundo onde o evangelho apresentava-se como um mero compromisso de final de semana.
Sintetizando: passou pela minha cabeça que a religião que professava estava distante muitos anos luz da realidade. Aparentemente minha fé pessoal não possuía todas as repostas possíveis para as questões sociais. Minha espiritualidade fazia parte de um mundo paralelo, fictício, cujos dogmas diziam respeito unicamente à vida espiritual, adoração à Deus, salvação, céu e inferno. E que, portanto, tais dogmas estavam aquém e/ou além da ciência, da sociedade ou do cotidiano. Por um curto período de tempo pontos de interrogação pairavam sobre a minha cabeça, onde o embate entre fé x mundo era constante.
Nesse exato cenário foi que conheci a obra de Charles Colson e Nancy Pearcey. No melhor estilo norte-americano de escrever, Colson despertou minha atenção pela forma como abordava assuntos complexos com imensa facilidade. As teorias filosóficas e as doutrinas bíblicas de queda e redenção do homem foram diluídas em narrações de personagem reais, tornando o processo de leitura e aprendizado agradável e consistente.
O que mais despertou meu interesse foi uma das declarações dos escritores na contra-capa do livro. “O verdadeiro cristianismo vai além de João 3.16”. Uma sentença aparentemente herética e imbecil, afinal o versículo chave da Bíblia Sagrada – porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha vida eterna – era, pra mim, a síntese do Cristianismo, a própria razão de ser da minha conversão. Ali estava demonstrado o imenso e infinito amor do Criador. De forma que o cristianismo não era mais nem menos que o verso de João 3:16. Porém, estava equivocado.
Compreendi pouco depois que Colson não estava com tal declaração anulando o amor de Deus em nossas vidas. Ao contrário, a verdade era – e é – que o amor de Deus pela humanidade era mais amplo do que aquilo que estava acostumado a ouvir e aprender, e que o Cristianismo estava além da rotina igrejista dos finais de semana. O Cristianismo é mais que uma crença particular, mais do que salvação pessoal; é um sistema de vida compreensível que responde às perguntas mais antigas da humanidade: De onde eu vim? Por que estou aqui? Para onde estou indo? A vida tem algum significado e propósito?
A obra deu-me naquela oportunidade combustível suficiente para continuar minha caminhada como cristão e recursos para a defesa da fé, fazendo-me compreender que o Reino de Deus é muito mais do que eu acreditava ser, passando a entender que os princípios cristãos devem nortear não somente nossa forma de adoração à Deus, nosso relacionamento eclesiástico ou a maneira como realizamos campanhas evangelísticas, mais que isso: os valores cristãos devem dirigir nossas condutas ante todas as questões sociais contemporâneas, seja relacionado à política, à cultura, à família, à educação, à ciência e até mesmo ao direito. Pois que, deve ser encarado como um forma de ver o mundo [cosmovisão], que traduz-se numa “lente fictícia” onde a realidade é a partir dela interpretada.
A responsabilidade da igreja, portanto, vai além da mera realização de “eventos espirituais” e agendas festivas, sobretudo, ela é responsável por redimir toda uma cultura em decadência e implantar o padrão bíblico de vivência. Seus princípios devem se inserir em todos os campos de atuação do homem. Seus fundamentos precisam adentrar nos vários extratos sociais e intelectuais da sociedade, numa síntese daquilo que disse Cristo: “Vós sois do sal da terra e a luz do mundo”. O sal para nada serve se for insípido. A luz não tem finalidade alguma se estiver escondida. E se ignorarmos essa responsabilidade de redimir a cultura que nos rodeia, diz Colson – nosso Cristianismo vai permanecer particular e ridicularizado.
Particular e ridicularizado? Será que o nosso cristianismo possui tais “qualidades”? Responda você mesmo após refletir acerca das seguintes indagações: Nosso cristianismo o que tem feito para redimir a cultura que nos cerca? Nosso cristianismo se importa com o destino da educação secular que insere dia após dia conceitos evolucionistas na formação de nossos filhos? Temos alçado a voz contra o relativismo ético? Nossa igreja tem dado o valor devido à propagação das mensagens da nova era? Nossas lideranças têm direcionado ações com o fim de coibir a aprovação de leis anti-cristãs? Nossos políticos evangélicos têm sido luz em meio a tanta corrupção? O que temos feito em respeito à violência? Quais as nossas ações em relação à saúde? Nossas atitudes em relação à prostituição infantil? Nossos cristãos são cidadãos conscientes? Ou melhor, nós, cristãos, somos cidadãos? Nossas igrejas investem em educação e formação de cristão conscientes? E, finalmente, o que você e eu temos feito?
Imagino que sua conclusão não será tão diferente da minha! Baseado em perquirições desse estilo é que Colson utiliza a pergunta “E agora, como viveremos?” como titulo do seu livro. Ao vislumbrar os avanços do naturalismo, as garras do pós-modernismo e as teias do pluralismo invadirem a sociedade ele faz essa pergunta como um grito de desespero: E agora, como, nós cristãos, vamos viver nessa sociedade? E agora, como vamos mudar essa realidade? E agora, como vamos redimir essa cultura? E agora, como implantar um padrão essencialmente cristão no mundo?
Ele responde ao final: “Abraçando a verdade de Deus, entendendo a ordem moral e física que Ele criou, argumentando amavelmente com nosso vizinhos por amor a essa verdade, e então tendo a coragem de vivê-la em todos os aspecto da vida”

 

 

O Direito e a cosmovisão cristã

Somente a cosmovisão cristã pode erigir um sistema de justiça, igualdade e dignidade da pessoa humana
Por que é tão importante ter uma cosmovisão cristã? Porque o cristianismo nos dá um mapa para a realidade, um esboço do mundo do jeito que ele realmente é: a ordem moral e física de Deus. E se nós queremos fazer o nosso caminho de forma eficaz através da vida, para viver de acordo com a realidade, temos que seguir o mapa, dizia Charles Colson. Além disso, a cosmovisão cristã nos ajuda a defender a nossa fé, dando-nos a linguagem para explicar por que a ética cristã é bom para a sociedade, ou a visão bíblica da natureza humana é essencial para uma boa política pública.

Muitos imaginam que compreender o cristianismo como uma visão de mundo é algo muito teórico e filosófico, e por isso deveria ser assunto somente para pastores e eruditos. Mas não é. Desenvolver uma cosmovisão bíblica deve ser uma preocupação de todo cristão, seja ele erudito ou não, pastor ou membro da igreja, pois se trata de um conjunto de suposições e crenças que utilizamos para interpretar e formar opiniões acerca da nossa humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade e questões sociais. É como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo.

Acrescento ainda que compreender o cristianismo como uma cosmovisão é importante porque conduz ao entendimento de que a fé não é algo somente privado, mas também público. Influenciados por uma forte tendência de secularização, muitos cristãos estão a aceitar a falsa ideia de que a fé é algo eminentemente privado e que por isso deve ser vivida e expressada somente no âmbito pessoal e religioso, sem a possibilidade de influenciar as questões públicas. Como vaticinou Dinesh D´Souza: “Muitos cristãos renunciaram a essa missão [participação efetiva no mundo], buscando um modus vivendi viável e confortável no qual concordam em deixar o mundo secular em paz se o mundo secular concordar em deixá-los em paz”. 

O entendimento do cristianismo como uma visão de mundo desfaz esse equívoco, ao defender a inexistência de separação entre o sagrado e o secular, e que os princípios cristãos possuem densidade suficiente para abordar todas as áreas da vida humana. O cristianismo genuíno é a interpretação de toda a realidade, o que implica dizer que nenhuma área da vida humana escapa da soberania divina. O Apóstolo Paulo escreveu que em Cristo foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para Ele (Colossenses 1:16). Em outra oportunidade, o apóstolo dos gentios disse que a terra é do Senhor e toda a sua plenitude (I Co 1.26).

Portanto, nada está fora do alcance do poder do evangelho (Rm 1.16). O Direito, a Economia, a Ciência, a Educação, a Filosofia, o Estado e as Artes, por exemplo, precisam ser vistas pelas lentes da Bíblia. E para que isso aconteça precisamos pensar em termos bíblicos. Necessitamos da mente de Cristo (1Co 2.16).
No caso do Direito, especificamente, somente a cosmovisão cristã pode erigir um sistema de justiça, igualdade e dignidade da pessoa humana. Para tanto, basta observamos o primeiro elemento da tríade bíblica criação-queda-redenção, a qual contraria o pensamento dualista (secular-sagrado) e fornece os elementos necessários para a construção da perspectiva cristã.

A ideia da Criação aponta para o propósito da vida humana, por isso ela tem sentido e significado. O homem é fruto de um desígnio perfeito de um Deus amoroso (Jo 3.16) e sábio. Não somos acidentes e muito menos vivemos à deriva, sem rumo e sem direção.

Ao contrário da cosmovisão cristã, a cosmovisão naturalista pressupõe a inexistência de finalidade para a vida humana. A partir dessa concepção é possível perceber trágicas consequências daí advindas. Se a nossa existência não tem nenhum propósito, logo a vida não tem sentido. Se a vida não tem sentido, resta somente um mundo vazio e desprovido de significado, onde impera o caos, a desesperança e a falta de uma base moral objetiva.

Por essa razão Ravi Zacharias escreve: “Quando alguém tenta viver sem Deus, as respostas à moralidade, à esperança e ao sentido da vida o enviam ao seu próprio mundo para moldar para si uma resposta individualizada. Viver sem Deus significa elevar-se com a ajuda de seus próprios instrumentos metafísicos, seja qual for os meios escolhidos.... Pode então o homem viver sem Deus? Claro que pode, no sentido físico. Pode viver sem Deus de maneira racional? A resposta é: Não!; porque tal pessoa é compelida a negar a lei moral, a abandonar a esperança, a privar-se do significado e a arriscar-se a não se recuperar, se estiver errada. A vida já oferece muita evidência do contrário. Fora do Cristo não há lei, não há esperança e não há sentido. Você, e só você, é aquele que vai determinar e definir estes elementos essenciais da vida; e você e só você, é o arquiteto da sua própria lei moral; você e só você, idealiza sentido para a sua vida; você, e só você, arrisca tudo o que tem baseado numa esperança que você imagina” .

A segunda implicação da doutrina cristã da Criação é a dignidade da pessoa humana. A passagem bíblica de Gn 1.26-27 é paradigmática e estabelece o princípio segundo o qual todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade, uma vez que temos a imagem de Deus, as suas “impressões digitais”. A dignidade da pessoa humana não é somente uma ideia cristã, como também um atributo universal próprio do ser humano, de procedência transcendente, que gera uma pretensão universal de reconhecimento, respeito e proteção tendo como destinatários todos os indivíduos e todas as formas de poder político e social.

O jurista português Jónatas Machado lembra que para a visão do mundo judaico-cristã, essa dignidade especial de ser criado à imagem e semelhança de Deus manifesta-se nas peculiares capacidades racionais, morais e emocionais do ser humano, na sua postura física erecta, sua criatividade e na sua capacidade de articulação de pensamento e discurso simbólico, distinta de todos os animais, por mais notáveis que sejam as suas características.

Jónatas destaca ainda que a teologia da imagem de Deus (imago Dei) constitui a base das afirmações de grandes pensadores da história, a exemplo de Francisco de Vitória, Francisco Suareza, Hugo Grócio, Samuel Pufendorf, John Milton, John Lock James Madison e Thomas Jeferson, sobre a dignidade, a liberdade e a igualdade, as quais viriam a frutificar no mundo jurídico, especialmente o direito a liberdade individual e a capacidade de autodeterminação democrática do povo .

Ao contrário da cosmovisão cristã, as demais cosmovisões não possuem uma base firme o suficiente na qual a defesa da dignidade humana possa se apoiar. Qual é a justificativa pela qual as pessoas devem ser tratadas com respeito e justiça se elas são meros acidentes biológicos?

Lembro-me do livro “The Natural History of Rap”, em que os dois professores universitários defendem a ideia de que o estupro não é uma patologia biologicamente falando, mas sim uma adaptação evolucionária, uma estratégia para maximizar o sucesso reprodutivo. Para os autores, o estupro é biológico, “um fenômeno natural produto da herança evolucionária humana”, como “manchas de leopardo e de pescoço alongado da girafa”. Em outras palavras, alguns homens podem recorrer à coerção para cumprir o imperativo reprodutivo.

Esse exemplo mostra que a adoção da cosmovisão naturalista tem sérias implicações contra a dignidade da pessoa humana, pois ao retirar Deus do cenário, o darwinismo retira também os princípios que deveriam nortear a vida em sociedade, sobrando tão somente o acaso, impulsos biológicos e materialismo, de modo a tornar legítimo até mesmo o estupro, como um fenômeno natural produto da herança evolucionária humana.

Outro princípio subjacente da Criação é a igualdade. Se todos provém do mesmo Criador, não há razão e muito menos justificativa para um ser humano seja considerado superior ou inferior ao outro, por isso a premissa judaico-cristã que todos merecem ser tratados sem distinção, independentemente da cor, raça, sexo, etnia ou religião.

O fundamento do tratamento igualitário é o próprio Deus que não faz acepção de pessoas (At 10.34). Nesse sentido, o apóstolo Paulo escreve: Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3.28).

Dinesh D´Souza lembra que “o caráter precioso e a igualdade de valor de cada vida humana é um conceito cristão”. Os cristãos sempre acreditaram que Deus atribui a cada vida humana que cria um valor infinito e que ama a cada pessoa de igual modo. No Cristianismo, você não é salvo por meio de sua família, tribo ou cidade. A salvação é uma questão individual. Além disso, Deus tem uma “vocação” ou chamado para cada um de nós, um plano divino para cada um de nós, conclui D´Souza .

Referências:

1. Disponível em: http://www.religiontoday.com/columnists/breakpoint/colson-s-passion-and-legacy.html.
2. D´SOUZA, Dinesh. A verdade sobre o cristianismo: por que a religião criada por Jesus é moderna fascinante e inquestionável; [tradução Valéria Lamin Delgado Fernandes]. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008, p.14.
3. ZACHARIAS, Ravi. Poder o homem viver sem Deus? – São Paulo: Mundo Cristão, 1997, p. 95-96.
4. MACHADO, Jónatas E.M. Estado Constitucional e Neutralidade Religiosa: entre o teísmo e o (neo) ateísmo. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013, p. 37.
5. MACHADO, Jónatas E.M, p. 38.
6. D´SOUZA, Dinesh, p.90.

 

 

Por que é importante compreender o Cristianismo como uma visão de mundo abrangente

O Cristianismo é uma mundividência que diz respeito a todas as áreas da vida (Charles Colson)


Muitos imaginam que compreender o Cristianismo como uma visão integral de mundo é algo muito teórico e filosófico, e por isso deveria ser assunto somente para pastores e eruditos.

Mas não é. Desenvolver uma cosmovisão cristã deve ser uma preocupação de todo e qualquer crente, seja ele erudito ou não, pastor ou membro da igreja, pois é algo que afeta diretamente nossa espiritualidade e como colocamos em prática nossas principais crenças no dia-a-dia. O evangelho diz respeito a nada menos que todas as coisas (Cl. 1.16-20), e a missão da igreja diz respeito a nada menos que todas as coisas. Desse modo, o Reino de Deus, que é revelado na pessoa de Jesus Cristo, deve se manifestar em cada aspecto da vida de um “cidadão do Reino”, seja na vida devocional, na comunhão no trabalho, no mercado público, na escola na universidade, no lazer, na família.[i]

Por essa e outras razões podemos enumerar uma série de fatores que atesta a importância de compreender o Cristianismo como uma visão de mundo.

Compreender o Cristianismo como uma cosmovisão é importante porque evita que os cristãos sirvam a “outros senhores”

Jesus disse certa feita que não podemos servir a dois senhores, pois haveremos de odiar a um e amar ao outro (MT. 6.24). Nesse sentido, a compreensão do Cristianismo como uma visão de mundo tem como um de seus objetivos exatamente evitar que os cristãos sirvam a “outros senhores”, isto é, filosofias e concepções que contrariem as doutrinas primordiais da fé cristã; pois aqueles que não olham a sociedade, a cultura e os sistemas de ideias pelas lentes da cosmovisão cristã, sem se aperceberem, são seduzidos por ideologias espúrias e antibíblicas, em virtude da incapacidade de denotarem as forças ocultas e os princípios morais e/ou religiosos que se escondem por detrás de algumas ideias aparentemente inofensivas, porém destruidoras. O desenvolvimento de uma visão de mundo cristã habilita o crente a refletir sobre as pressuposições elementares de toda e qualquer linha de raciocínio e concluir se tais pressuposições são ou não compatíveis com a Bíblia. 
O fato de vivermos em um momento histórico de pluralismo, diversidade e tolerância, com a crescente multiplicação de pontos de vistas, teorias, doutrinas e religiões de todos os tipos e origens, bem como os conflitos morais, teológicos e ideológicos que disso resultam, compreender o Cristianismo como uma cosmovisão torna-se ainda mais relevante, para o fim de discernir as vozes do nosso tempo e destruir os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10:5). 
Compreender o Cristianismo como uma cosmovisão é importante porque conduz ao entendimento de que a fé cristã não é algo somente privado, mas público 
Influenciados por uma forte tendência de secularização, muitos cristãos estão a aceitar a falsa ideia de que a fé é algo eminentemente privado e que por isso deve ser vivida e expressada somente no âmbito pessoal e religioso, sem a possibilidade de influenciar as questões públicas. Como vaticinou Dinesh D´Souza: “Muitos cristãos renunciaram a essa missão [participação efetiva no mundo], buscando um modus vivendi viável e confortável no qual concordam em deixar o mundo secular em paz se o mundo secular concordar em deixá-los em paz”.[Com efeito, essa dicotomia sagrado/secular, religião/ciência, fé/razão, tem afastado cada dia mais a perspectiva cristã dos debates sociais e das questões públicas. No livro A mente cristã Harry Blamires aborda essa questão e ressalta como os cristãos estão se deixando influenciar pela mente secular. Ele diz:
“Não existe mais uma mente cristã. Ainda há, é claro, uma ética cristã, uma prática cristã e uma espiritualidade cristã. Como seres morais, os cristãos modernos podem subscrever um código do dos não cristãos. Como membros de igrejas, eles podem aceitar obrigações e observações ignoradas por não cristãos. Como seres espirituais, em oração e meditação, eles podem se esforçar para cultivar uma dimensão de vida inexplorada por não cristãos. Mas como seres pensantes, os cristãos modernos sucumbiram à secularização. Eles aceitam religião – sua moralidade, sua adoração, sua cultura espiritual; mas eles rejeitam a perspectiva religiosa da vida, a perspectiva que vê todas as coisas terrenas dentro do contexto do eterno, a visão que relaciona todos os problemas humanos – sociais, políticos, culturais – aos fundamentos doutrinais da Fé Cristã, a supremacia de Deus e da transitoriedade da terra, em termo de céu e inferno”. Por outro lado, o entendimento do Cristianismo como uma visão de mundo desfaz esse equívoco, ao defender a inexistência de separação entre o sagrado e o secular, e que os princípios cristãos possuem densidade suficiente para abordar todas as áreas da vida humana. 
Dentro dessa compreensão, para além de uma mera experiência ou devoção pessoal, o Cristianismo genuíno é a interpretação de toda a realidade, o que implica dizer que nenhuma área da vida humana escapa da soberania divina. O Apóstolo Paulo escreveu que em Cristo foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para Ele (Colossenses 1:16). Em outra oportunidade, o apóstolo dos gentios disse que a terra é do Senhor e toda a sua plenitude (I Coríntios 1.26). 
O Cristianismo, como adverte Francis Schaeffer, não é apenas um monte de fragmentos e pedaços – há um começo e um fim, todo um sistema de verdade - este sistema é o único que resistirá a todas as questões que nos serão apresentadas, à medida que somos confrontados com a realidade da existência. Trata-se, portanto, de uma religião de integridade e plenitude, em que a graça de Deus habita cada espaço da vida. Por essa razão, o Senhor disse aos discípulos: Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento (Marcos 12:30). 

Compreender o Cristianismo como uma cosmovisão é importante porque nos prepara para a defesa da fé 
Cada dia mais me convenço que a compreensão do Cristianismo como uma visão de mundo ajuda-nos a fazer uma defesa mais consistente do Cristianismo. Afinal, para termos uma visão profunda e abrangente de nossas crenças, precisamos escavar com mais dedicação rumo aos alicerces de nossa fé. Quanto mais escavamos, mais conhecemos; quanto mais conhecemos, mais fortalecemos a razão da nossa esperança (I Pedro 3.10).

Em outras palavras, compreender o Cristianismo como uma cosmovisão ajuda-nos a utilizar a apologética cristã. Embora muitos a usem com essa finalidade, não é objetivo da apologética cristã simplesmente ganhar debates ou discussões no âmbito filosófico, científico ou teológico. Muito ao contrário, a intenção primordial é cumprir o Ide do Senhor Jesus, pregando o evangelho a toda a criatura, por meio de argumentos lógicos e plausíveis ao intelecto.Isso não quer dizer que os cristãos tenham que fugir dos debates. De forma alguma. Charles Colson afirma que “debater pode ser algumas vezes desagradável, mas pelo menos pressupõe que há verdades dignas de serem defendidas, ideias dignas de se lutar por elas. Em nossa era pós-moderna, todavia, as suas ‘verdades’ são as suas ‘verdades’, as minhas ‘verdades’ são as minhas, e nenhuma é significativa o suficiente para alguém se apaixonar por ela. E se não há verdade, então não podemos persuadir um ao outro através de argumentos racionais. Tudo o que resta é puro poder”. 
Além disso, essa visão cristã ampla leva-nos ao estudo das demais cosmovisões, para avaliar seus fundamentos e consequências. Ao fazermos isso, encontramos argumentos suficientes para demover os falsos pressupostos das ideias contrárias ao Cristianismo, ressaltando suas falhas lógicas e consequências absurdas.

Compreender o Cristianismo como uma cosmovisão é importante porque nos incita a usar a mente para os propósitos do Reino

A mente e a intelectualidade deveriam ocupar lugares de destaque na igreja evangélica, pois, conforme escreveu John Stott, subestimar a mente é soterrar doutrinas cristãs fundamentais. Por essa razão, o estudo direcionado da cosmovisão cristã nos incita a usar o dom divino da inteligência com o objetivo de cumprir a grande Comissão de Cristo. Somos compelidos a pensar de forma cristã, pensar biblicamente ou com a mente de Cristo.

Ocorre que vivemos um período turbulento em que muitos cristãos abandonaram a razão e estão a utilizar somente a emoção religiosa, fazendo surgir o mal do antiintelectualismo dentro de algumas igrejas. De acordo com o sociólogo cristão Os Guinness, “o antiintelectualismo é uma disposição em não levar em conta a importância da verdade e a vida da mente. Vivendo numa cultura sensual e numa democracia emotiva, os americanos evangélicos da última geração têm simultaneamente revigorado seus corpos e embotado suas mentes. O resultado? Muitos sofrem de uma forma moderna do que os antigos estóicos chamavam de “hedonismo mental” – possuem corpos saudáveis e mentes obtusas”Com efeito, a cosmovisão cristã ajuda a resgatar a verdade bíblica de valorização do intelecto para o cumprimento dos propósitos divinos, afinal o apóstolo Pedro disse para crescermos na graça e no conhecimento (2 Pedro 3.18), e o próprio Senhor Jesus enfatizou que devemos amar a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo o nosso entendimento (Mateus 22.37).

Compreender o Cristianismo como uma cosmovisão é importante porque contribui para que a evangelização e o discipulado sejam mais eficazes 
A visão abrangente do Evangelho serve também como ferramenta de evangelização, como meio de anunciar as boas novas (Marcos 16.15). Aliás, nunca podemos perder de vista que o “Ide” do Senhor Jesus é o ponto chave do Cristianismo abrangente, que de modo algum pode ser ofuscado ou deixado de lado. Isso porque, o Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16).
Igualmente, a visão cristã de mundo é extremamente útil para o discipulado, para informar e amadurecer um verdadeiro adorador de Cristo com relação às implicações e ramificações da fé cristã. Ela oferece ao novo discípulo um patamar através do qual entendemos o mundo e toda a realidade, mediante a perspectiva divina, para assumir um estilo de  vida de acordo com a vontade de Deus.



 CARDOSO LEITE, Cláudio Antônio & Fernando Antônio.  Cosmovisão cristã e transformação – Viçosa, MG: Ultimato, 2006; p. 22.
 D´SOUZA, Dinesh. A verdade sobre o Cristianismo: por que a religião criada por Jesus é moderna fascinante e inquestionável; [tradução Valéria Lamin Delgado Fernandes]. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008; p.14.
 BLAMIRES, Harry. A mente cristã. São Paulo: Shedd Publicações, 2006; p. 11/12.
 SCHAEFFER, Francis. O Deus que intervém: São Paulo. Cultura Cristã, 2009; p. 249.
 COLSON, Charles. E Agora como Viveremos-  Rio de Janeiro. CPAD, 2000.
 Citado por James Sire, Hábitos da Mente – a vida intelectual como um chamado cristão. São Paulo, SP. Editora Hagnos. 2005. p. 19.


 MACARTHUR, John e outros. Pense Biblicamente – Recuperando a visão cristã de mundo - São Paulo: Hagnos, 2005; p. 20.




O que dá acreditar no darwinismo

Dois autores, professores universitários, defendem a idéia de que o estupro não é uma patologia biologicamente falando, mas sim uma adaptação evolucionária,
Muitas pessoas não conseguem compreender como a adoção da teoria darwinista pode afetar drasticamente a forma como encaramos a vida. Essas pessoas são cegas ante a evidência de que a entronização da teoria de Darwin possui implicações para além do “âmbito científico”, capaz de jogar por terra vários aspectos éticos dentro da esfera social.
Nancy Pearcey escreveu em seu blog [1] que não há nenhuma parte da vida, ao que parece, onde o darwinismo não está sendo aplicado hoje. Ela cita livros que abrangem temas como “uma visão evolutiva das mulheres no trabalho” e “uma visão darwiniana do amor parental” e até mesmo uma abordagem darwiniana para a filosofia política de esquerda.
Entretanto, a citação mais interessante de Pearcey é sobre o livro “The Natural History of Rap” em que os dois autores, professores universitários, defendem a idéia de que o estupro não é uma patologia biologicamente falando, mas sim uma adaptação evolucionária, uma estratégia para maximizar o sucesso reprodutivo. Para o autores, o estupro é biológico, “um fenômeno natural produto da herança evolucionária humana”, como “manchas de leopardo e de pescoço alongado da girafa”. Em outras palavras, como escreveu Nancy, alguns homens podem recorrer à coerção para cumprir o imperativo reprodutivo.
Conforme Nancy Pearcey: “O que esses exemplos nos lembram é que o darwinismo não é apenas uma teoria científica, mas também a base de uma visão de mundo – e isso tem implicações na forma como define a natureza humana e moral”.
E isso ocorre por uma razão muito evidente. Ao retirar Deus do cenário, o darwinismo retira também os princípios que deveriam norteam a vida do homem, sobrando tão somente o acaso, impulsos biológicos e materialismo, de modo a tornar legítimo até mesmo o estupro, como um fenômeno natural produto da herança evolucionária humana.
A grande verdade é que o darwinismo é um atentado contra a dignidade da pessoa humana. Earl Aagaard observa muito bem [2] que até mesmo alguns evolucionistas chegaram a essa conclusão. Segundo ele, James Rachels, no livro Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism (Criado Como Descendente de Animais: As Implicações Morais do darwinismo, New York: Oxford University Press), conclui que o darwinismo subverte a doutrina da dignidade humana. Os seres humanos não ocupam um lugar especial na ordem moral; somos apenas outra forma de animal.
Aagaard escreve ainda: “Em “Quão Diferentes são os Seres Humanos dos Animais?” Rachels conclui que o darwinismo destrói qualquer fundamento para uma diferença moralmente significante entre seres humanos e animais. Se o homem descende de símios por seleção natural, ele pode ser fisicamente diferente de símios, mas não pode sê-lo de modo essencial. Certamente não pode ser em qualquer aspecto que dê aos homens mais direitos do que a qualquer animal. Nas palavras de Rachels, “não se pode fazer distinções em moralidade onde nenhuma existe de fato”. Ele chama sua doutrina de “individualismo moral”, e rejeita “a doutrina tradicional da dignidade humana” junto com a idéia de que a vida humana tenha qualquer valor inerente que os seres não humanos careçam“.
Infelizmente, como disse, grande parte das pessoas não conseguem compreender as implicações do darwinismo que, tal qual uma cosmovisão, uma forma de ver o mundo, afeta a ética, a educação, a família, a política etc. E tal afetação, como visto, é completamente prejudicial, capaz de inocentar ações criminosas e desculpar desvios morais.

O anti-intelectualismo religioso

Qual a letra que mata?
Infelizmente, em pleno século XXI ainda existe uma turma dentro de nossas igrejas que se manifesta contra o estudo secular e a busca pelo conhecimento. Em alguns lugares, o cristão estudioso é tido como rebelde, frio, calculista, modernista, liberal e inveterado insurgente. James Sire chama isso de versão popular do intelectual.
De modo recorrente é dito que a igreja não precisa de mais conhecimento ou de doutores, já que historicamente ela foi levada adiante por pessoas que nunca estudaram, e que, portanto, a intelectualidade é desnecessária e sobretudo perigosa.
E alguns, para fundamentar, lançam mão do texto de II Cor. 3.6: “... porque a letra mata e o espírito vivifica”.
É um erro grosseiro de interpretação dizer que a palavra “letra” no texto de II Cor. 3.6 esteja se referindo ao conhecimento. Não é preciso muito conhecimento teológico para se depreender do texto sob análise que Paulo está fazendo referência à letra da lei, e não ao conhecimento. Veja-se que o capítulo em que o versículo está inserido tem como tema principal a diferença entre o ministério do Antigo e do Novo Testamento, fato este que pode ser plenamente verificado nos versículos posteriores, onde Paulo escreve: “O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas este ministério veio com glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés, por causa do resplendor de seu rosto, ainda que desvanecente” v. 7 – NVI
A infeliz verdade é que ainda existe um pensamento de anti-intelectualismo dentro de alguns círculos religiosos. O escritor Os Guinnes chama isso de hedonismo mental. Já John Stott denomina de cristianismo de mente vazia.
De fato, a Bíblia alerta sobre o perigo da arrogância do conhecimento e da sabedoria carnal (II Co. 1.12). Todavia, é preciso ressaltar que a arrogância atinge não somente os estudiosos, mas também aqueles que não buscam conhecimento. E o que existe de crente que se arroga da sua própria ignorância não está escrito, como se no céu fossem receber de Deus uma coroa pela burrice exercida na terra.
A Bíblia diz: “O coração do entendido adquire o conhecimento, e o ouvido dos sábios busca a sabedoria.(Pv. 18.15)
Não quero com isso dizer que o cristão intelectual é superior ou inferir àquele que não aprecia o estudo ou a leitura. Não, não e não!
Quero simplesmente ressaltar que a vida intelectual não é sinônimo de arrogância ou de desvio doutrinário, e que tanto estudioso quanto não estudioso estão sujeitos aos mesmos erros. É claro que a vida cristã não pode pautar-se jamais pelo grau de conhecimento que possuímos, mas sim pela dependência plena à Cristo.

Como escreveu Paulo: “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (I Co. 2:5,6).


A sociedade contemporânea pelo enfoque cristão

Olhando o mundo pelas lentes das Sagradas Escrituras
A sociedade do século XXI tem experimentado transformações cada vez mais catastróficas. Os novos e estranhos valores familiares, religiosos, ideológicos, políticos e educacionais nos mostram que o homem (sem Deus) do tempo presente se assemelha a uma nau à deriva, sem rumo, sem propósito e desprovido de uma âncora firme que lhe dê sustentação.
Em leitura pertinente, John MacArthur (“Como educar seus filhos segundo a Bíblia”, Cultura Cristã) observou muito bem que parece óbvio para qualquer pessoa comprometida com a verdade das Escrituras que nossa sociedade está numa célere desintegração moral, ética e, sobretudo, espiritual. Ressalta ele que “os valores assimilados pela sociedade atual como um todo estão completamente fora de sintonia com a ordem divina”.
Nesse cenário, a instituição familiar tem a sua morte quase decretada. O psiquiatra britânico Davi Cooper, por exemplo, sugeriu em seu livro Death of the family [A morte da família] que é tempo de destruir totalmente a família. A feminista Kate Millet, de modo parecido, em seu manifesto de 1970,Sexual Politics [Política Sexual], alegou que as famílias, juntamente com todas as estruturas patriarcais, precisam acabar, porque elas nada mais são do que instrumentos para a opressão e a escravização da mulher.
No âmbito da religião, dois fenômenos antagônicos, porém igualmente perigosos, ditam hoje o tom da conexão entre homem e espiritualidade.
Em um extremo, o secularismo tenta apagar qualquer vestígio da prática religiosa dentro do ambiente social. Busca-se a todo custo relegar a expressão da religiosidade ao âmbito simplesmente privado, de modo a se impedir, por exemplo, orações em escolas (como nos Estados Unidos) ou ainda negar a manifestação dos cristãos em assuntos relacionados às políticas públicas. Com isso, o Estado laico vai se transformando em Estado ateu.
Na outra vértice, vislumbra-se uma espiritualidade pluralista, politicamente correta e sem compromisso com a Bíblia. Como escreveu Stephen Mansfild no livro “O Deus de Barack Obama”, “com relação à religião, a maioria dos jovens dos Estados Unidos tem uma postura pós-moderna, o que significa dizer que eles encaram a fé de um modo parecido ao jazz: informal, eclético e, muitas vezes, sem um tema específico. Basicamente, costumam rejeitar uma religião organizada, privilegiando uma mescla religiosa que funcione para eles. Para esses jovens, não há nada de mais em construir a própria fé juntando tradições de religiões totalmente diferentes, e muitos formam sua teologia da mesma maneira como pegam um resfriado: por meio de contatos casuais com estranhos”.
Não bastasse tudo isso, as políticas públicas tornam-se cada vez mais pragmáticas: focam em números e resultados em desprezo à ética e à moralidade. E a mídia, por sua vez, intensifica escancaradamente a banalização da sexualidade, a promoção da promiscuidade e o emburrecimento social.
Dentro desse (triste) estado de coisas está a igreja cristã, chamada para ser o sal da Terra e a luz do mundo (Mt 5.13). Mas, para isso, o cristão precisa estar apto a fazer a leitura da própria sociedade. Entender os acontecimentos. Verificar os fatos. Refletir sobre o cenário. Analisar o contexto segundo as lentes das Sagradas Escrituras. Afinal, como escreveram Charles Colson e Nancy Pearcey (“E Agora, Como Viveremos?”, CPAD): "A forma como vemos o mundo pode mudar o mundo".
Jesus, ao chamar os seus primeiros discípulos, disse: "Vinde e vede" (Jo 1.38). Em outra oportunidade, o Mestre alertou: "Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo" (Mc 13.33). Nesses dias difíceis, somos também chamados a olhar o mundo e a fazer a sua leitura consoante a perspectiva bíblica. Somos chamados a diagnosticar um mundo caído, em estado terminal, bem como apresentar a cura eficaz.
Nesse sentido, gostaria de convidá-lo(s) para juntos, neste espaço, observarmos a sociedade contemporânea pelo enfoque cristão, de modo a dialogar e debater sobre os acontecimentos que envolvem educação, mídia, família, política, sexualidade e outros assuntos, a fim de podermos responder com mansidão e temor a todo aquele que nos pedir a razão da nossa esperança (1Pe 3.13).
 FONTE CPAD NEWS

A mídia e os perigos do falso entretenimento

Os estragos produzidos pela mídia ímpia
Sob o disfarce do entretenimento e da cultura popular de massa, crianças, adolescentes, jovens e até mesmo adultos estão sendo seduzidos e negativamente influenciados pela mídia ímpia – aquela descompromissada com os valores morais e familiares. Prova disso é que nos últimos meses uma quantidade significativa de pesquisas sérias e imparciais trouxe à tona os efeitos nefastos efetivamente provocados por programas que incentivam a sexualidade precoce, a infidelidade conjugal e o consumo de álcool.
Apesar de o senso comum já ter detectado essas verdades há muito tempo, tais estudos (divulgados no site Hypescience.com) ratificam o fato de que algumas ditas "produções artísticas" possuem poder de fogo suficiente para levar à bancarrota o senso ético dos espectadores contumazes.
Para começar, estudo publicado na revista científica Pediatrics, concluiu que jovens que têm altos níveis de exposição a programas de televisão com conteúdo sexual tem o dobro da chance de se envolverem em uma gravidez na adolescência nos três anos seguintes do que aqueles que assistem poucos destes programas.
Outro estudo, realizado por cientistas da Universidade de Radboud, Holanda, sugere que as pessoas tendem a consumir álcool quando vêem pessoas bebendo em filmes ou em comerciais enquanto assistem à TV. Os pesquisadores monitoraram o comportamento de 80 jovens enquanto eles assistiam televisão e descobriram que os que viam mais referências a bebidas alcoólicas bebiam duas vezes mais do que os que não as viam.
Ainda, pesquisa patrocionada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sugere uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e o aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas. Na pesquisa, foi feito um cruzamento de informações extraídas de censos nos anos 70, 80 e 90 e dados sobre a expansão do sinal da Globo – cujas novelas chegavam a 98% dos municípios do país na década de 90. Além disso, descobriu-se que esse efeito é mais forte em municípios menores, onde o sinal é captado por uma parcela mais alta da população local.
Na esfera musical, em pesquisa realizada na Universidade de Pittsburgh constatou-se que jovens que ouvem músicas que contenham referências sexuais e degradantes, começam a fazer sexo mais cedo (ou investem nas preliminares). As pesquisas foram feitas com 711 jovens de três grandes escolas em uma metrópole. Dos participantes que eram expostos a, em média, 14 horas de músicas "sexuais" por dia, um terço já havia feito sexo. Outro terço já havia tido "preliminares", mas nunca havia praticado o coito, em si.
Os números dessas pesquisas são somente alguns indicativos que comprovam os males provocados por programas que se escondem atrás das "cortinas do entretenimento" e da cultura popular de massa, que trazem em seu conteúdo forte apelo sexual e uma gritante indiferença à instituição familiar, demonstrando que, ao contrário do que muitos imaginam, os meios de comunicação possuem influência direta no comportamento das pessoas, principalmente jovens, adolescentes e crianças, os quais, em razão da exposição contínua acabam incorporando os valores e as idéias propagadas pelos programas.
Sem prejuízo de outros elementos, o ponto de discórdia é que tais publicações ainda continuam sendo classificadas como "arte", "cultura" e "entretenimento". Historicamente existe uma explicação para tal concepção. Segundo Charles Colson & Nancy Pearcey, "quando a ciência foi ungida como o único caminho para a verdade (cientificismo), a arte foi degradada à fantasia subjetiva e os artistas foram colocados na defensiva. Eles responderam criando uma filosofia que consequentemente lança a arte como ferramenta de subversão, uma maneira de enfiar o nariz na sociedade convencional". Segundo os autores, "essa filosofia de arte-como-rebelião migrou da Europa para a América", e "como essa nova filosofia de arte ganhou superioridade, o implacável ataque às crenças e aos valores tradicionais desenvolveu-se por um fervor de profanidade e perversidade, de modo que hoje temos letras que glorificam a morte e a violência".
No pano de fundo, o grande problema é que a sociedade tem pago um preço alto demais por essa arte subversiva e por tal cultura irresponsável. Além de provocar um "emburrecimento", a mídia ímpia ainda induz as pessoas a uma visão de mundo desregrada e libertina, cujos resultados não afetam somente a própria pessoa, mas toda coletividade. Prova disso é a gravidez indesejada; a AIDS; o aborto e a violência gratuita, que cada dia crescem mais e mais.
Nesse contexto, é claro, cumpre aos cristãos se posicionarem com voz ativa, crítica e de modo inteligente, baseado naquilo que Paulo escreveu em Rm. 12.2: "E não vos conformeis com este mundo...". No entanto, o simples inconformismo não é suficiente, tanto é assim que o apóstolo dos gentios vai além, dizendo: "...mas, transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".
No que se refere à mídia, porém, trata-se de um grande desafio. Para Colson & Pearcey o chamado para redimir a cultura popular é certamente um dos desafios mais difíceis para a fé cristã hoje; pois, graças à moderna tecnologia de comunicação, a cultura popular tornou-se uma intrusa em todas as partes. É impossível evitar a influência da cultura através das propagandas, fitas, CDs, televisão, rádio, filmes, revistas, jogos de computador, galeria de vídeos e da Internet. Assim, a cultura popular está em todos os lugares, moldando nossos gostos, nossa linguagem e nossos valores.
Nesse sentido, os pais parecem sempre em desvantagem em relação à TV no que diz respeito à influência sobre seus filhos. Enquanto os pais educam, programas da MTV, realitys shows, bandas de rock e vídeos games violentos (des)educam.
Por outro lado, os escritores Kennedy e Newcombe, no livro As portas do inferno não prevalecerão, observam que a mídia de péssima qualidade deve ser combatida por mídia de boa qualidade. Precisamos, afirmam eles, nos conscientizar de que o ataque ao Cristianismo que ocorre em nossa cultura resulta, em parte, de uma atitude mal orientada que os cristãos tiveram, no início deste século. Durante décadas, nos mantivemos afastados de nossa cultura. Deixamos a mídia, em sua maior parte, para os ímpios.
Nesse mesmo foco, tendo com esteio os princípios da cosmovisão cristã, os escritores afirmam a necessidade de termos mais âncoras, redatores de notícias, editores, produtores e diretores cristãos, já que estas pessoas estão em posição de influenciar muitos outros, em nossa cultura. A transformação da mídia através dos cristãos, dizem eles, não acontecerá da noite para o dia, se é que vai acontecer, mas sim ao longo de décadas. E nem pensem que é fácil para os cristãos entrar nessa área".
Por isso, eles propõem – acertadamente - o desafio de sua igreja assumir como meta um jornal, uma emissora de televisão ou uma estação de rádio e começar a orar e testemunhar por eles, afinal, eles afirmam, "acabou o tempo de apenas reclamarmos entre nós sobre o ataque ao Cristianismo nos filmes e na TV. É tempo de agir. É tempo de fazermos nossas vozes audíveis por aqueles que estão envolvidos na perseguição contra os cristãos. É tempo de escrever aquelas cartas ao editor. É tempo de demonstrarmos nosso apoio de uma forma prática, não apenas falando, mas investindo. É tempo de orar pelos que estão na mídia e de levar mais pessoas a Cristo, inclusive aqueles que estão na mídia. Enfim, é tempo de os cristãos entrarem corajosamente nos meios de comunicação".
Em outras palavras, é tempo de vencer com o bem"(Rm 12:21).

O poder destrutivo das novelas

Apesar da certeza do poder destrutivo dos folhetins, os noveleiros continuam escrevendo enredos que acertam em cheio a célula mater da sociedade
Dizer que as novelas prestam um grande desserviço à sociedade não é nenhuma novidade. Tanto é assim que estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) realizado há pouco tempo sugeriu uma ligação entre as populares novelas da TV Globo e o aumento no número de divórcios no Brasil nas últimas décadas.
Entretanto, apesar da certeza do poder destrutivo dos folhetins em relação à família, os noveleiros continuam escrevendo enredos que acertam em cheio a célula mater da sociedade. Nesse sentido, conforme matéria da Folha de S. Paulo, na novela "Passione", da Globo, Estela vai trair o marido, Saulo (Werner Schunemann), com "uns nove [homens] diferentes" até o 23º capítulo da novela, segundo a intérprete da personagem, Maitê Proença. Diz ainda: "É tudo muito objetivo: sexo. Ela olha, mostra que quer, os homens veem. Não tem frufru, charminho nem trejeito. Mas isso sem ser vulgar", explica a atriz.
Caros leitores, essa notícia é de estarrecer qualquer pessoa de senso moral mediano. Impressiona como a Globo tem a capacidade de se superar no quesito destruição familiar e indignidade sexual.
E o mais absurdo ainda é que a própria atriz não vê nenhum tipo de vulgaridade no enredo, mesmo que a sua personagem traia o marido nove (9) vezes em apenas vinte e três (23) capítulos. A Bíblia chama isso de “mente cauterizada” (I Tm. 4.2).
O problema maior é que tais enredos são criados exatamente para atender uma demanda social. Novela só da audiência se tiver imoralidade. Ao ser entrevistado pela revista Veja, o noveleiro Silvio de Abreu confessou: “Como sempre acontece na Globo, realizamos uma pesquisa com espectadoras para ver como o público estava absorvendo a trama e constatamos que uma parcela considerável delas já não valoriza tanto a retidão de caráter. Para elas, fazer o que for necessário para se realizar na vida é o certo. Esse encontro com o público me fez pensar que a moral do país está em frangalhos
De fato. A moral do país está em frangalhos, e os noveleiros contribuem ainda mais para isso (...)
A verdade é que sob o disfarce do entretenimento e da cultura popular de massa, nossas crianças, adolescentes, jovens e até mesmo adultos estão sendo seduzidos e negativamente influenciados pela mídia ímpia, descompromissada com valores morais e éticos.
Apesar de tudo, tais publicações continuam sendo classificadas como “arte”, “cultura” e “entretenimento”. Historicamente existe uma explicação para tal concepção. Charles Colson & Nancy Pearcey observam que “… quando a ciência foi ungida como o único caminho para a verdade (cientificismo), a arte foi degradada à fantasia subjetiva e os artistas foram colocados na defensiva. Eles responderam criando uma filosofia que consequentemente lança a arte como ferramenta de subversão, uma maneira de enfiar o nariz na sociedade convencional” (E Agora, Como Viveremos, p. 544).
Infelizmente, porém, a sociedade tem pago um preço alto demais por essa arte subversiva, por essa cultura irresponsável e, sobretudo, por esse entretenimento bestial.
Como escreveu o jornalista (e amigo) José San Martin: “A natureza humana decaída sempre desejará mais concessões. Vai querer sempre mais do pior que puder alcançar. O ser humano rebelado contra os princípios do Criador vai invariavelmente desejar agradar a si mesmo e nunca a Deus. Assim, de abismo em abismo, todas as instâncias sociais vão sendo cooptadas, a exemplo do atual governo com militantes liberais infiltrados em toda sua estrutura.”
Ele finaliza: “Esta é crônica de um país que avança a cada dia para a tragédia. Crônica de um mundo que tomou um caminho sem volta, o caminho da licenciosidade. O caminho da luxúria. Um mundo que já está julgado e vive inconscientemente sob uma terrível expectativa de destruição. Mas ainda há uma saída a tantos quantos queiram romper as cadeias da escravidão espiritual, imposta por Satanás, o inimigo de Deus. Hoje Deus oferece gratuitamente este escape.
FONTE CPAD NEWS



MDA, M12, G12 e a quebra de paradigmas

Por que igrejas tradicionais e históricas estão adotando modelos de crescimento numérico


Muitas igrejas — inclusive, algumas Assembleias de Deus — têm adotado, nos últimos anos, o modelo da “visão celular”, também conhecido como G12, M12, MDA (Modelo de Discipulado Apostólico), etc. Tal modelo vem sendo apresentado como o mais eficaz meio de “fazer discípulos”. E os seus defensores, que se consideram imitadores da igreja primitiva, afirmam que sua estratégia de discipulado é uma revolução, uma “quebra de paradigmas” e, ao mesmo tempo, um retorno aos princípios da igreja de Atos dos Apóstolos. Não se trata, pois, de mais um programa. A “visão celular” é, modéstia à parte, “o programa” da igreja. 

Desde 2006 pesquiso sobre o modelo em apreço e tenho ouvido alguns líderes de igrejas em células, especialmente os que trabalham com a juventude, afirmarem que não seguem padrões éticos, dogmáticos, eclesiásticos de pessoas maduras na fé, experientes ou tradicionalmente respeitáveis. Preferem valorizar as “ministrações específicas” em pré-encontros, encontros, pós-encontros, encontros de líderes, etc. Ninguém está autorizado a descrever o que acontece nessas reuniões secretas. Mas todos concordam: “É tremendo”.

As igrejas em células, em geral, têm os seus próprios cursos e conteúdos pedagógicos. Não investem na Escola Dominical; consideram-na ultrapassada, uma instituição falida. Dizem, sem nenhuma cerimônia, que as igrejas tradicionais ou conservadoras seguem padrões arcaicos e “comem pão amanhecido, seco e duro”. Os adeptos da “visão” desprezam, reprovam, a liturgia tradicional das igrejas que não seguem o modelo celular. Na prática, os líderes que dizem estar “quebrando paradigmas” estão oferecendo aos crentes vários atrativos do mundo, dentro de um contexto pretensamente evangélico.

Mediante a estratégia da “contextualização”, tudo é feito para agradar as pessoas, uma vez que o objetivo primário da “visão” é o crescimento numérico, e não a formação de crentes segundo a Palavra de Deus. Prevalecem nas igrejas em células — às vezes, de maneira camuflada — doutrinas triunfalistas, como a Confissão Positiva, a Maldição Hereditária e a Teologia da Prosperidade. Tudo gira em torno das células, reuniões realizadas em casas de pessoas favoráveis à “visão”.

Há cultos nos templos, mas nenhuma reunião é mais importante que as células, definidas como “a essência da vida da igreja”. Nessas reuniões, ocorre a chamada “oração profética”, recheada com palavras de ordem ao Diabo: “decretamos”, “ordenamos”, “quebramos”, “maniatamos”, etc. Há também espaço para manifestações estranhas, como o “cair no poder” — até as crianças caem. A liturgia das igrejas em células é baseada no princípio “Pregue o Evangelho da maneira que as pessoas querem ouvi-lo, e não da forma que precisam ouvi-lo”. A ordem é não se prender a regras ou princípios. 

Empregam-se, nos chamados cultos: danças, coreografias e apresentações teatrais, principalmente como atrativos para a juventude. Tudo começa com um “louvor de guerra”, que dura uns vinte minutos. A oferta é um dos principais momentos e, por isso, merece uns dez minutos. Depois disso, há geralmente uma “oração de guerra” — dez minutos — e uma apresentação teatral de uns quinze minutos. Em seguida, uns 25 minutos de mais apresentação musical... 

Quanto tempo para a pregação? Em média, quinze minutos! Segundo os defensores da “visão”, o que um sermão levaria 45 minutos ou uma hora para fazer, consegue-se com uma pequena apresentação musical “ungida”. Por que, então, Jesus e Paulo pregaram tanto, se isso não é tão importante? Por que dois terços do ministério terreno do Senhor foram destinados à pregação e ao ensino da Palavra de Deus? Nada deve substituir a explanação das Escrituras (Rm 10.17; Sl 119.130). 

Como a exposição tradicional das Escrituras é considerada longa, cansativa e formalista, os pregadores da “visão” têm linguagem própria e atualizada para cada público em particular. Empregam gírias, expressões em inglês e regionalismos; tudo para agradar o auditório. Adaptam as passagens bíblicas às necessidades comuns do homem de hoje, bem como à realidade existencial da juventude. E as pregações, além de sucintas, costumam ser acompanhadas de peças ou dramatizações. Nas reuniões da “visão”, os participantes batem os pés e gesticulam à vontade, sem restrições, além de marcharem. A ênfase recai sobre as músicas, as danças, as coreografias, etc. 

Não há lugar para hinários tradicionais, como Harpa Cristã, Cantor Cristão, etc. em modelos como MDA, M12 e G12. Dizem que cantar hinos ultrapassados é idolatria. Tais hinos, segundo eles, parecem ter sido compostos para um funeral. Há, ainda, nesses “cultos” dirigidos por líderes que “quebram paradigmas”: aplausos, brados, pulos de alegria, faixas, cartazes, balões, bandeirinhas, lenços... As palavras de ordem são: exagerar e extrapolar. “Sentiu vontade de fazer? Faça.” — dizem. — “Se parecer exagero, execute! O Senhor não está interessado se o adoramos de ponta-cabeça, sentados, em pé, deitados, chorando, sorrindo, cantando, falando, gemendo, gritando e até gesticulando o corpo”. 

Nas igrejas em células, geralmente, os aspirantes a pregador recebem instruções como: “seja bem-humorado; use termos joviais, expressões em inglês e termos regionais; faça brincadeirinhas; pregue com emoção; não seja um chato”. Os pregadores têm de ser, obrigatoriamente, animadores de auditório. Um influente líder da juventude afirmou: “Se você quer pregar sem se contextualizar, esqueça! Estamos cansados de tanta cerimônia, de tanta opressão, de tanta mesmice”. 

Os pregadores da santificação não são bem-vindos. “As pessoas não vão aos cultos para serem repreendidas, mas para buscar soluções para problemas, conflitos, receber alívio para seus sofrimentos; enfim, para satisfazer as suas necessidades.” — dizem os defensores desse evangelho antropocêntrico. À luz das Escrituras, o compromisso do pregador é com o Senhor. Quando Ele mandou Ezequiel profetizar, disse-lhe que o auditório não o ouviria, pois era “casa rebelde” (Ez 2.1-4). O homem de Deus deve pregar, quer ouçam, quer deixem de ouvir, porque o seu compromisso é com Deus (v. 5). Jesus não elogiou ou agradou Nicodemos, mas lhe disse, com franqueza, que era necessário nascer de novo (Jo 3.1-5). 

Ademais, a “visão celular” valoriza as estratégias de marketing. Os líderes falam muito aos seus liderados sobre atacado e varejo; o marketing pessoal também é fundamental. “Empreender é como espalhar logotipos. É deixar a marca pessoal em tudo que se realiza. O anonimato, a modéstia são para quem não tem o que mostrar ou fazer” — afirmam. Deus, entretanto, que não dá a sua glória a outrem (Is 42.8), “atenta para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe” (Sl 138.6). Daí a humildade ser uma característica marcante na vida dos verdadeiros mensageiros do Senhor (Mt 11.28-30; Jo 3.30; Gl 2.20). 



CPAD NEWS


                                   A Igreja e as Cosmovisões do Mundo


Existe e sempre existiu uma incompatibilidade fundamental, irreconciliável entre a igreja e o mundo. O pensamento cristão é totalmente desarmônico com todas as filosofias da História. A fé genuína em Cristo implica uma negação de todo valor mundano. A verdade bíblica contradiz todas as religiões do mundo. O próprio cristianismo é, portanto, virtualmente contrário a tudo o que este mundo admira.
Contudo, virtualmente ao longo de toda a história cristã, tem havido gente na igreja convencida de que a melhor maneira de ganhar o mundo é satisfazendo os seus gostos. Tal tipo de abordagem tem sempre resultado em detrimento da mensagem do evangelho. As únicas vezes em que a igreja causou impacto significativo sobre o mundo foram quando o povo de Deus permaneceu firme, recusando-se a compactuar e proclamando ousadamente a verdade apesar da hostilidade do mundo. Quando os cristãos se desviam da tarefa de confrontar os enganos do mundo com as impopulares verdades bíblicas, a igreja invariavelmente perde sua influência e, impotente, mescla-se ao mundo. Tanto as Escrituras quanto a História atestam esse fato.
E a mensagem cristã simplesmente não pode ser torcida para se conformar com a instabilidade da opinião do mundo. A verdade bíblica é fixa e constante, não sujeita a mudança ou adaptação. A opinião do mundo, por outro lado, está em fluxo constante.
Ao que tudo indica, o mundo não abraçará por muito tempo qualquer das ideologias que estão atualmente em voga. Se a História servir como indicador, quando nossos netos se tornarem adultos, a opinião do mundo terá sido dominada por um sistema completamente novo de crenças e um conjunto de valores totalmente diferente. A geração de amanhã renunciará a todos os modismos e filosofias de hoje, mas uma coisa permanecerá imutável: até que o Senhor mesmo volte, seja qual for a ideologia que ganhe popularidade no mundo, ela será tão hostil às verdades bíblicas como o foram todas as precedentes.
Modernismo
Pense no que aconteceu no século passado, por exemplo. Cem anos atrás, a igreja estava ameaçada pelo modernismo. Modernismo era uma cosmovisão baseada na noção de que somente a ciência podia explicar a realidade. O modernismo, com efeito, começou com a pressuposição de que nada sobrenatural é real.
Deveria ter ficado instantaneamente óbvio que o modernismo e o cristianismo eram incompatíveis no nível mais básico. Se nada sobrenatural era real, então grande parte da Bíblia seria falsa e sem autoridade; a encarnação de Cristo seria um mito (anulando a autoridade de Cristo também); e todos os elementos sobrenaturais do cristianismo, incluindo o próprio Deus, teriam de ser totalmente redefinidos em termos naturalistas. O modernismo foi anticristão até a sua medula.
Não obstante, a igreja visível no começo do século 20 ficou cheia de gente que estava convencida de que modernismo e cristianismo podiam e deviam ser conciliados. Eles insistiam que se a igreja não acompanhasse o compasso dos tempos, abraçando o modernismo, o cristianismo não sobreviveria ao século 20. A igreja se tornaria paulatinamente irrelevante para o povo moderno, eles diziam, e logo desapareceria. Assim sendo, inventaram um “evangelho social” desprovido do verdadeiro evangelho da salvação.
Naturalmente, o cristianismo bíblico sobreviveu ao século 20 muito bem, obrigado. Nos lugares onde os cristãos permaneceram comprometidos com a verdade e autoridade das Escrituras, a igreja floresceu, mas, ironicamente, aquelas igrejas e denominações que abraçaram o modernismo foram as que se tornaram pouco a pouco irrelevantes e desapareceram antes do fim do século. Muitos edifícios de pedra, grandiosos, mas quase vazios, dão testemunho da fatalidade da conformação com o modernismo.
Pós-Modernismo 
O modernismo é agora considerado como um modo de pensar do passado. A cosmovisão dominante, tanto no círculo secular quanto no acadêmico, atualmente é chamada de pós-modernismo. Os pós-modernistas têm repudiado a confiança absoluta dos modernistas na ciência como único caminho para a verdade. Na realidade, os pós-modernistas perderam completamente o interesse pela “verdade”, insistindo que não existe tal coisa como verdade absoluta ou universal.
Ao contrário do modernismo, que estava ainda preocupado com a possibilidade de convicções básicas, crenças e ideologias serem objetivamente verdadeiras ou falsas, o pós-modernismo simplesmente nega que qualquer verdade possa ser objetivamente conhecida.
Para o pós-modernista, a realidade é o que o indivíduo imagina que seja. Isso significa que o que é “verdadeiro” é determinado subjetivamente por cada um, e não existe tal coisa como a chamada verdade objetiva, com autoridade que governa ou se aplica universalmente a toda humanidade. O pós-modernista acredita naturalmente que não faz sentido debater se a opinião A é superior à opinião B. No final das contas, se a realidade é meramente uma invenção da mente humana, a perspectiva de verdade de uma pessoa é afinal tão boa quanto a de outra.
Tendo desistido de conhecer a verdade objetiva, o pós-modernista se ocupa, em lugar disso, com a busca para “entender” o ponto de vista da outra pessoa. “Verdade” torna-se nada mais do que uma opinião pessoal, geralmente melhor se guardada para si mesma.
Esta é uma exigência essencial, não negociável, que o pós-modernismo faz a todo mundo: nós não devemos pensar que conhecemos qualquer verdade objetiva. Toda opinião deve receber igual respeito; com mente aberta, devemos procurar a harmonia e tolerância. Tudo soa muito caridoso e altruísta, mas o que realmente sublinha o sistema de crenças pós-modernistas é uma intolerância total por toda cosmovisão que faça alegações de qualquer verdade universal – particularmente o cristianismo bíblico.
Em outras palavras, o pós-modernismo começa com uma pressuposição que é irreconciliável com a verdade objetiva, divinamente revelada nas Escrituras. Da mesma forma que o modernismo, o pós-modernismo é fundamental e diametralmente oposto ao evangelho de Jesus Cristo.
Pós-Modernismo e a Igreja
Não obstante, a igreja atualmente está cheia de gente que advoga idéias pós-modernistas. Alguns fazem isso consciente e deliberadamente, mas a maioria o faz sem querer (tendo embebido demasiado do espírito dos tempos, simplesmente regurgitam opiniões do mundo). E poucos reconhecem o perigo extremo colocado pelo pensamento pós-modernista.
A influência pós-modernista claramente já infecta a igreja. Os evangélicos estão baixando o tom da sua mensagem para que as rígidas alegações de verdades do evangelho não soem tão desagradáveis aos ouvidos pós-modernos. Muitos evitam fazer afirmações inequívocas de que a Bíblia é verdadeira e todos os outros sistemas religiosos do mundo são falsos. Alguns que se intitulam cristãos foram ainda mais longe, determinadamente negando a exclusividade de Cristo e abertamente questionando sua alegação de ser ele o único caminho para Deus. (Confira as afirmações categóricas nas Escrituras: Jo 14.6; At 4.12; Jo 3.36; 1 Tm 2.5; 1 Jo 5.11,12.)
Cristianismo e Tolerância
A alegação da Bíblia de que Cristo é o único caminho da salvação está certamente em desarmonia com a noção pós-moderna de “tolerância”, mas é, no final das contas, exatamente o que a Bíblia ensina. E a Bíblia, não a opinião pós-moderna, é a autoridade suprema para o cristão.
Quando nossos avós falavam de tolerância como uma virtude, a palavra significava respeitar as pessoas e tratá-las com bondade mesmo quando acreditamos que estão erradas. A noção pós-moderna de tolerância significa que nunca devemos considerar a opinião de alguém como errada. A tolerância bíblica é para as pessoas; a tolerância pós-moderna é para idéias.
Aceitar toda crença como igualmente válida, embora não seja uma virtude, é praticamente a única virtude que o pós-modernismo conhece. As virtudes tradicionais (incluindo humildade, domínio próprio e castidade) são abertamente zombadas e até mesmo consideradas como transgressões no mundo do pós-modernismo.
Previsivelmente, a beatificação da tolerância pós-moderna vem exercendo efeitos desastrosos sobre a verdadeira virtude em nossa sociedade. Nestes tempos de tolerância, o que era proibido passou a ser encorajado. O que era tido como imoral é agora festejado. Infidelidade conjugal e divórcio foram normalizados. Impureza é o lugar-comum. Aborto, homossexualidade e perversões morais de todos os tipos são aclamados por grandes grupos e entusiasticamente promovidos pela mídia popular. A noção pós-moderna de tolerância está sistematicamente virando virtude genuína na cabeça deles.
Praticamente a única coisa a ser rejeitada pela sociedade como maligna é a noção simplória e politicamente incorreta que o estilo de vida, religião ou perspectiva diferente de outra pessoa são incorretos. Por isso, os pós-modernistas aceitam a intolerância somente se for contra aqueles que alegam conhecer a verdade, particularmente os cristãos bíblicos. Aqueles que se proclamam líderes de tolerância são freqüentemente os oponentes mais declarados do cristianismo bíblico.
Por que isso? Porque as alegações de verdade das Escrituras são diametralmente opostas às pressuposições fundamentais da mente pós-moderna. A mensagem cristã representa um golpe fatal à cosmovisão pós-modernista.


Se os cristãos se deixam enganar ou são intimidados a suavizar as alegações diretas de Cristo e a alargar o caminho estreito, a igreja não fará qualquer progresso contra o pós-modernismo. Precisamos recuperar a distinção do evangelho. Precisamos identificar as diversas formas com que o pós-modernismo tem infiltrado nossas mentes e atitudes. Temos visto o pecado, as idéias e opiniões através da lente da cosmovisão prevalecente e nos tornado tolerantes com as coisas que desagradam a Deus. Precisamos redescobrir a verdade absoluta e a perspectiva de Deus. Só assim voltaremos a pensar como Deus.
FONTE REVISTA IMPACTO



                          Mudando a Cosmovisão das Pessoas

Todas as pessoas, cultas ou iletradas, pensadoras ou pragmáticas, profundas ou superficiais, têm uma visão de mundo que determina sua forma de pensar e, conseqüentemente, as suas decisões e rumos na vida. A igreja não está influenciando muito o mundo atualmente porque o mundo é que está influenciando a igreja. As pesquisas têm demonstrado que os cristãos agem de forma semelhante aos não-cristãos porque pensam de forma semelhante (veja matéria nesta edição: Cosmovisão Bíblica). Aceitamos o dom de salvação que Jesus oferece, mas continuamos agindo como antes porque não mudamos a nossa maneira de pensar.
De onde adquirimos nossa cosmovisão? A maioria das pessoas não sabe nem o que é cosmovisão e, conseqüentemente, nunca dedica tempo ou esforço consciente para desenvolver, compreender ou modificar sua visão e conformá-la ao pensamento de Jesus. É como a formação de hábitos: se você não se disciplinar para formar hábitos positivos, ficará apenas com os hábitos “default”, produzidos automaticamente por nossa natureza caída.
A cosmovisão é formada inconscientemente da mesma maneira: através dos valores e modos de pensar da cultura à nossa volta, começando com o ambiente familiar, mas com fortes influências da mídia (especialmente da televisão), de astros e atores populares e de professores e colegas nas escolas. É um testemunho lastimável à ineficácia da igreja o fato de que a influência cristã nesse processo de formação de cosmovisão seja tão despercebida e ausente, mesmo naqueles que mais assiduamente a freqüentam.
Há uma pesquisa do Grupo Barna (instituto de pesquisa sediado em Ventura na Califórnia, EUA) que mostra a importância dos pais, professores cristãos e pastores darem atenção especial a esse fato nos primeiros anos de vida dos filhos e crianças sob seus cuidados. De acordo com suas descobertas, o desenvolvimento dos valores morais de uma pessoa é praticamente completado até os nove anos de idade, e o conjunto de convicções e princípios que a pessoa terá no final da sua vida é adquirido até os treze anos de idade. É lógico que há esperança para mudanças naqueles que formaram uma visão errada, mas é mais difícil e mais raro. Por isso a Escritura diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Pv 22.6).
Veja, por exemplo, o contraste entre o que os alunos aprendem nas escolas, de modo geral, e o que deveriam aprender num lar cristão e na igreja:
COSMOVISÃO SECULAR – ENSINADA NAS ESCOLAS:
Quem sou eu?
Sou um ser humano, um mamífero mais evoluído que os outros animais, que surgiu por um processo aleatório, acidental, sem qualquer causa superior ou razão superior para minha vida.
Onde estou?
Estou na Terra, um planeta do sistema solar, que faz parte de um universo que surgiu também por acaso. O acidente que deu origem ao universo chama-se Big Bang.
Qual o maior objetivo da vida?
Procurar a felicidade, o bem-estar e a realização pessoais (geralmente interpretados em termos de posses materiais e experiências de satisfação pessoal), sem prejudicar os direitos dos outros e tentando de alguma forma deixar o mundo melhor.
O que está errado?
Falta de educação que gera falta de dinheiro, miséria, frustração, conflitos e guerras.
Como consertar isso?
Através de melhorar a educação e levá-la a mais pessoas. Se o homem se esforçar, poderá eliminar doenças, preconceitos, radicalismos e conflitos por meio de educação, tecnologia, democracia e diplomacia.
COSMOVISÃO BÍBLICA:
Quem sou eu?
Sou um ser humano, criado intencionalmente por um Deus infinito e pessoal, à sua imagem, de forma maravilhosa e sobrenatural, com um propósito especial nesta Terra.
Onde estou?
Estou na Terra, um planeta criado por Deus e disposto de forma tão maravilhosa e perfeita que se houvesse mudança em sua distância do sol ou em sua inclinação, mínima que fosse, não haveria condições de vida.
Qual o maior objetivo da vida?
Buscar a total restauração da ligação entre o homem e Deus, que é a única possibilidade do homem realizar o fim para o qual foi criado e encontrar a verdadeira felicidade e realização pessoal.
O que está errado?
O pecado, que separou o homem de Deus e trouxe múltiplos e desastrosos efeitos sobre a humanidade e sobre toda a criação. O homem é intrinsecamente egoísta, orgulhoso e independente.
Como consertar isso?
Mudando o coração do homem pela conversão, buscando em primeiro lugar o Reino de Deus, que é a única forma de restaurar o que foi quebrado através do pecado. O homem poderá aumentar seu conhecimento, sua capacidade tecnológica, seus recursos financeiros e sua habilidade de governo e administração, mas nunca conseguirá distribuir renda, eliminar a miséria, as doenças ou achar a felicidade sem se voltar ao relacionamento com Deus.
O problema é que na própria igreja nem sempre o contraste entre uma visão bíblica e a visão secular ou humanista é muito claro. Não é uma questão de necessariamente usar o termo cosmovisão. É que o propósito de Deus na criação e na redenção não é ensinado. Por mais que os cristãos freqüentem a igreja e participem de campanhas, seus alvos e formas de ver a vida não mudaram essencialmente em relação às pessoas do mundo em geral. Na verdade, acabam adotando uma visão híbrida e contraditória, pois afirmam que Deus criou o mundo e o ser humano, mas desconhecem o propósito por trás disso. Vivem em função de alvos pessoais e imediatistas, como se posses, bens materiais e satisfação pessoal fossem as únicas coisas de valor. A única diferença é que agora possuem um grande aliado para ajudá-los a atingir seus alvos: o próprio Deus.
A influência das filosofias e cosmovisões da cultura moderna atinge a igreja de duas formas. Na primeira, elas misturam-se imperceptivelmente no modo de pensar da igreja, fazendo com que as pessoas vivam um cristianismo totalmente desvirtuado de sua real essência e objetivo. A segunda dá-se através do dualismo, um sistema bipartido no qual a pessoa tenta viver de acordo com duas cosmovisões, uma na igreja e outra na vida secular. É como se adotasse a visão bíblica para viver na igreja, numa espécie de compartimento religioso da sua vida, enquanto mantém outros padrões e formas de pensar para sua vida secular. É uma aceitação implícita de que é impossível viver no mundo segundo os princípios do Reino de Deus. Quem está no comércio precisa sujeitar-se às regras do comércio, quem está na política, às regras da política, e assim por diante. Em ambos os casos, o resultado é uma vida cristã prática sem distinção essencial das demais pessoas que não conhecem a Jesus.
O Que Fazer?
Não existe uma fórmula mágica para mudar esse quadro. É mais fácil apontar as coisas que não funcionam, porque já foram experimentadas, ou porque fazem parte do nosso contexto atual com todas essas falhas que estamos destacando. Uma estratégia que é claramente deficiente para mudar o quadro atual é a pregação da Palavra nos cultos públicos. Algumas igrejas têm pregações mais consistentes e bíblicas que outras. A regação tem um papel importantíssimo no culto e na vida da igreja. Entretanto, não é um instrumento eficaz para mudar a visão cultural e contemporânea que domina os cristãos nem para lançar uma cosmovisão bíblica. Mesmo que o conteúdo dos sermões fosse reforçado, mesmo que se desse mais espaço para a pregação nos cultos, temos uma abundância de evidências de que isso não seria suficiente para trazer uma mudança fundamental.
A geração de uma cosmovisão numa vida em formação depende de algo sistemático e contínuo, que ocorre naturalmente em dois tipos de ambiente: no lar e na escola.
Uma das grandes causas atuais do enfraquecimento de uma cosmovisão cristã é o desmoronamento dos lares. A função de transmitir visão na família cabe principalmente ao pai, embora a mãe tenha uma participação muito valiosa e, em alguns casos, seja obrigada a desempenhar essa função sozinha. Diante das pressões da vida moderna, os pais precisam tomar medidas enérgicas, desligar a televisão, ordenar as atividades da semana, sacrificar certas prioridades secundárias para poder reunir a família e fazer o culto doméstico. Porém, precisam fazer muito mais do que uma leitura mecânica ou formal da Bíblia; precisa haver espaço para conversar sobre a vida dos filhos, comentar sobre acontecimentos atuais, participar da vida escolar, assistir a programas e filmes e ler livros com a família, ajudando-a a tirar conclusões sobre os princípios implícitos ou explícitos encontrados e a entender as diferentes filosofias e idéias da nossa cultura atual. Não é também através de usar chavões (“Isso é do diabo!” ou “Aquela é uma filosofia satânica!”) que vamos convencê-los. Dar opiniões fortes sem explicações lógicas pode protegê-los por um tempo, mas assim que começarem a buscar respostas satisfatórias, se não aprenderam o caminho, se não foram ensinados a pensar, logo deixarão os chavões por algo mais convincente.
Hoje, por falta de ambientes familiares mais sólidos, as escolas são mais responsáveis pela cosmovisão dos jovens do que os lares ou as igrejas. As crianças e adolescentes passam muito mais tempo nas salas de aula e interagem muito mais com colegas e professores do que com seus pais, famílias ou irmãos na fé. Mas isso pode mudar se os pais entenderem que vale muito mais a pena investir tempo em conviver e interagir com os filhos do que em trabalhar além do horário para oferecer-lhes maiores benefícios econômicos, ou mesmo do que em participar de múltiplas funções e ministérios na igreja, deixando os filhos por conta da televisão ou do computador.
Poucas pessoas têm a oportunidade de mandar os filhos para uma escola cristã, mas esse é um outro instrumento muito eficaz na formação da verdadeira cosmovisão bíblica. Porém, é preciso distinguir entre escolas que têm o nome de escola cristã porque possuem administração e corpo docente cristãos, fazem orações e deixam de celebrar festividades pagãs, e escolas que realmente fazem questão de ensinar os alunos a pensar e a desenvolver uma cosmovisão bíblica e coerente. Existe atualmente um movimento crescente de escolas cristãs que estão investindo em formação de professores e de currículos para criar uma estrutura eficaz para combater o domínio da visão cultural atual sobre a nova geração. (Colocar telefone ou contato com Escola Cristã de Jundiaí, etc.)
O Papel da Igreja
E as igrejas? O que podem fazer? Além de fortalecer as famílias e as escolas cristãs, quando possível, as igrejas precisam dedicar tempo, espaço, recursos e pessoas para levantar um ministério de ensino coerente e eficaz. Não é um trabalho de curto prazo, um curso relâmpago de três meses ou de um ano que efetuará essa mudança. As Escolas Dominicais, quando não deixam de existir, estão cada vez mais vazias. Quando funcionam, não ensinam o plano de Deus através da Bíblia de forma sistemática e consecutiva. Geralmente a Bíblia é pregada ou ensinada de forma fragmentada e avulsa, sem qualquer sentido de totalidade para entender o plano progressivo de Deus através da história.
A falta de material didático é simplesmente chocante. Há algum tempo, vasculhando em distribuidoras, livrarias e editoras, não encontrei quase nada para ensino sistemático da Bíblia em classes bíblicas. Existem materiais sobre tópicos os mais diversos possíveis, menos para um estudo focalizado no pensamento de Deus na Bíblia.
Qualquer estratégia séria para lançar fundamentos sólidos na igreja deverá incluir os seguintes elementos:
• Estudo da Bíblia como um todo, não apenas de partes, nem do Novo Testamento apenas, mas de todo o plano de Deus (de acordo com George Barna, as igrejas que são mais eficazes no desenvolvimento de uma cosmovisão bíblica são aquelas que tratam a Palavra de Deus como um conjunto unificado de instrução, conhecimento e direção, como uma unidade harmoniosa da revelação de Deus);
• Princípios ensinados não como conceitos avulsos e independentes, mas interconectados com toda a verdade, relacionados com a vida como um todo, com o plano de Deus;
• Um plano sistemático e consecutivo, visando prazo médio, não cursos rápidos sem continuidade;
• Uma análise das principais cosmovisões contemporâneas para entender melhor sua influência e domínio na sociedade contemporânea;
• Aplicação da cosmovisão bíblica às decisões e aos comportamentos da vida diária e à influência do ambiente em que as pessoas vivem.
Nós temos a única cosmovisão no mundo que faz sentido, que responde às perguntas, que dá propósito e significado para a vida, que coloca o homem no contexto certo de tempo, espaço e eternidade, que oferece esperança, que explica o presente e revela para onde estamos caminhando. Por que aceitamos as falsificações baratas, os modismos passageiros, os pensamentos vazios de quem não sabe de onde veio nem para onde vai? Por que vamos deixar a nova geração ficar ainda mais iludida e ignorante do que as anteriores? Temos um grande desafio à nossa frente. O que estamos esperando?

 

 

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